Perigo: nesta semana, dois homens morreram quando tentavam fazer uma solda em um tanque de caminhão vazio, que era usado para o transporte de combustível (Foto: Patrícia Cacheffo)

Depois de dois acidentes graves ocorridos em Rondonópolis, sendo um em uma chácara e outro em uma empresa localizada em um dos distritos industriais da cidade, que resultaram em três mortes e em uma pessoa gravemente ferida, o A TRIBUNA procurou um especialista no assunto, o engenheiro de segurança contra incêndio e pânico Cláudio Hessel, que repassou dicas importantíssimas para as pessoas evitarem passar por situação parecida. Os acidentes em questão aconteceram em uma residência, onde um botijão de gás explodiu e matou uma pessoa, deixando outra gravemente ferida, além de deixar a casa parcialmente destruída, e o outro numa empresa, quando dois homens tentaram fazer uma solda em um tanque de caminhão vazio, que era usado para o transporte de combustível e ainda tinha muito gás em seu interior, o que acabou resultando numa grande explosão, que tirou a vida dos dois.

 

 

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Estatísticas

De acordo com o Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), a cidade de Rondonópolis registrou no ano de 2016 um total de 836 acidentes de trabalho, dos quais 785 foram de trabalhadores com Carteira de Trabalho assinadas, contra 51 de trabalhadores sem o documento assinado. Desses com Carteira Assinada, 513 se acidentaram no ambiente de trabalho e outros 261 indo ou voltando do mesmo. Em 2016, 11 pessoas foram afastadas em decorrência de doenças e houve 7 óbitos. Já em 2017, último levantamento a que o A TRIBUNA teve acesso, foram 788 acidentes de trabalho, dos quais 722 tinham Carteira de Trabalho assinada e 66 não. Desse total, 489 foram no ambiente de trabalho e outros 225 no ida ou na volta do trabalho, enquanto 8 foram afastados por doença. Houve 4 óbitos naquele ano.

 

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Acidentes de trabalho são
frequentes no município

Já com relação aos acidentes de trabalho, como o que ocorreu nesta quinta-feira e que acabou resultando na morte de duas pessoas na cidade, ele diz que há um procedimento para se fazer soldas em tanques e tubulações por onde passou algum tipo de combustível, porque fica dentro dessas tubulações gases residuais, que com a menor faísca podem gerar uma explosão, como aconteceu no caso relatado.

O engenheiro diz que, em casos semelhantes, é preciso primeiro abrir uma Permissão de Trabalho, que é um documento que define medidas necessárias para um trabalho seguro, além de instruções para situações de emergência ou resgate, o que evita que os trabalhadores adotem procedimentos equivocados, que podem resultar em acidentes muitas vezes fatais. “Tanto tanques de caminhão quanto os estacionários, assim como as tubulações, o que se costuma fazer é encher o tanque de água, que ocupa todos os espaços e expulsa os gases. Aí, você pode soldar normalmente. Também existem pastilhas de produtos químicos que são colocados dentro dos tanques e fazem a inibição dessa taxa de gases. Dessa forma, seguindo os procedimentos, a maior parte dos acidentes podem ser evitados”.

Outro tipo de acidente que acontece são nos espaços confinados, quando as pessoas entram dentro de estruturas como os tanques, o que acaba por matar essas pessoas, já que o ar está carregado de gases, que além de explosivos, são tóxicos. “Existem medidores de gases para isso hoje, e quem adota procedimentos de segurança evita muitos acidentes. Outra coisa: quando você contrata uma empresa para prestar um serviço desses, é preciso ver se a empresa é realmente eficiente, mas muitas vezes as pessoas querem ver só preço. Quando há todo um preparo em cima da preocupação com segurança, quando as pessoas têm o mínimo de capacidade técnica, se minimiza muito as chances, mas é claro que os acidentes acontecem, pois quando o homem lá de cima diz que é o dia, não tem jeito, mas se você segue direitinho as normas, esse risco diminui”, explicou.

O engenheiro conclui passando uma recomendação para as empresas. “Uma dica importante é sempre procurar um profissional capacitado para desenvolver o seu Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, o PPRA, que é normativo e toda empresa precisa ter, pois ele identifica os riscos que há na empresa, e em cima dele, as pessoas podem fazer as tratativas. Isso diminui bastante os riscos de acidentes, mas não pode ficar dentro da gaveta, tem que treinar as equipes para aplicar as normativas”, concluiu.

 

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