As mulheres através dos tempos, estiveram em muitos lugares, em muitas situações. No passado ocuparam lugares muito importantes nas sociedades. O tempo foi passando e elas por si, e empurradas pelos sistemas sociais e econômicos de cada época, foram tomando lugares tão desumanos e incômodos, tão desvalorizados economicamente, chegando a serem consideradas escravas de uma sociedade machista. A pergunta continua. Onde estão as mulheres? Em muitos lugares e em diferentes situações. Em suas casas cuidando os filhos, do marido. Quanto trabalho! Quem não tem casa, na casa de parentes, casas alugadas, fazendo os mesmos serviços, e mais cuidando de parentes idosos e doentes. Quanta doação! Na área rural, cuidando da casa, dos filhos, do marido, de animais, de plantação, de colheita, dias de sol, dias de chuva. Quanta energia, criatividade e muitas vezes, quanto sofrimento! E a pergunta continua. Onde estão as mulheres? Como o espaço é pequeno, eu vou lembrar daquelas que estão mais escondidas. Daquelas mulheres que vivendo nas periferias geográficas e existenciais, poucos e poucas se importam com elas. Quem são elas? Nós as conhecemos, como diz Pe. Zezinho: “Aquelas que quando as vemos, alargamos o passo para chegar depressa à igreja” ou aquelas que a Campanha da Fraternidade deste ano nos apresenta “viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10.22-23). As samaritanas à beira do caminho. Essas mulheres são trabalhadoras de 8 horas fora de casa e outras tantas em suas casas. Agora a pergunta pode ser: Você conhece estas mulheres? Você é uma delas? Você é quem.

Lembro aqui as mulheres que trabalham fora de casa, em casa e ainda conseguem participar da comunidade eclesial. No sínodo foram lembradas assim: “Se não fossem as mulheres, a gente não teria a Igreja que a gente tem hoje, uma Igreja viva”. (Ir. Rose Bertoldo, auditora sinodal). Mulheres que participam de grupos de reflexão, da liturgia, , das pastorais sociais, de movimentos e tantos outros serviços. São catequistas, secretárias nas paróquias, dioceses. São leigas e religiosas. E mulheres jovens na Pastoral da Juventude e outros grupos de jovens, alargando a tenda do Reino de Deus no mundo.

E aquelas que acordaram? Deram a cor para suas vidas participando de cursos de formação. Com muita alegria falam que fizeram curso de teologia, o teológico catequético, de diferentes ministérios e de tantos outros encontros.

E aquelas que há muitos anos tiveram coragem de participar da coordenação de Comunidades Eclesiais, da animação da celebração da Palavra, de equipes econômicas das paróquias.

E aquelas que, como águia, abriram seus olhos e enxergaram a realidade das mulheres marginalizadas e deram a mão, acolheram e cuidaram delas pelas pastorais relacionadas às mulheres.

E você que me lê, onde você está?

O motivo deste artigo é lembrar o dia 8 de março.

O primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos, quando cerca de 1500 mulheres aderiram a uma manifestação em prol da igualdade econômica e política no país. No ano seguinte, um protesto que reuniu mais de 3 mil pessoas no centro de Nova York e culminou, em novembro de 1909, em uma longa greve têxtil que fechou quase 500 fábricas americanas. Com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) eclodiram ainda mais protestos em todo o mundo. Mas foi em 8 de março de 1917, quando aproximadamente 90 mil operárias manifestaram-se contra o Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra – em um protesto conhecido como “Pão e Paz” – que a data consagrou-se, embora tenha sido oficializada como Dia Internacional da Mulher, apenas em 1921. Em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em 1977 o “8 de março” foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.

A comemoração desta data pode tomar dois rumos: um levando em conta o lugar onde está a mulher hoje e onde ela ainda necessita chegar para realmente ser a pessoa segundo os desígnios de Deus. Outro é fazer deste dia uma celebração de flores e festas, desviando totalmente da fundamentação histórica as suas lutas, reivindicações e vitórias.

Anna Patrícia Chagas, psicóloga e criadora da metodologia para os círculos terapêuticos de mulheres propõe com muita ênfase: todas que tiverem coragem iniciem estes círculos onde as mulheres terão um espaço de cura e transformação. (procurem Anna no yutube).

Tão meiga, cor bonita, feminina. Mulher da nova Igreja que se faz raízes nesta história ameríndia profeta da justiça e da paz. Teu canto é o amor, teu segredo é a fé e teu Deus libertador é Jesus de Nazaré.

(*) Irmã Irma Demarchi é catequista franciscana.

 

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