As mãos velozes talham com destreza incomparável
uma raiz ou parte de um tronco que não virou cinzas na
queimada proibida, nos rincões ricos desses brasis do Brasil.
A intervenção gananciosa em produzir riqueza sem a
preocupação ambiental, que alguém lá no futuro vai bancar.
E o provável descarte para aceiro ganha uma nova vida.
Uma árvore enferma, agonizante vira arte pura.
Atropela o processo normal de se tornar livro, quando não
se usa o processo da flora para se produzir papel. Isso não
poderia acontecer, senão, pela interferência sábia desse
artista lépido e capaz, numa região que tem guarantãs de
todas as formas, inclusive no nome. O livro-arte não precisa
ser manipulado, lido, aberto, pois já nos ensina quando o
notamos. Dele jorra o saber, sem que você tenha de saber o
que seria escrito lá dentro, nas suas prováveis páginas.
Poderia ser uma tela, uma “palhaçada”, uma foto dos outros
trabalhos intelectuais desse artista que admiro tanto.
Veloz é o passarinho da fábula do incêndio pousando
cansado na árvore do brasão, ou no tronco da bandeira de
uma linda e jovem cidade, após várias viagens para jogar
sprays de água nas nossas mentes piromaníacas.

(*) Hermélio Silva é escritor e membro fundador da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 6 .

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