Cansei de elaborar projetos culturais pela Lei Especial da Cultura (Pronac) do Ministério da Cultura e não captar os recursos, porque não se conhece tal lei aqui no Mato Grosso, mas sim, a Lei Kandir. Cansei de fazer projetos pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura, com suas burocracias intermináveis e vãos enormes entre a aprovação e o recebimento dos recursos, em limitados projetos para a nossa cidade. Cansei de esperar a Lei Municipal de Incentivo à Cultura. É premente a minha desistência da produção cultural, pois o pires é raso, como raso é a nossa cultura de deixar a arte para os nossos descendentes.

O nosso filho mais ilustre nunca foi escolhido. Será um Baiano da cidade de Lençóis, ou uma historiadora que conta a nossa história como ninguém, com pesquisas acadêmicas das mais elaboradas, ou o senador que tanto fez pela nossa cidade?

Vou votar no candidato a prefeito que fizer compromisso com a cultura do nosso povo. Só na literatura tenho um rol com 21 livros prontos de filhos da nossa terra, que serão consumidos pelo tempo. Mas, só votarei mesmo se notar que esse compromisso será cumprido, porque de promessas já fomos iludidos.

Repercutir eventos culturais bancados por outras leis que não sejam do município é o mesmo que cumprimentar com chapéu dos outros, pois a nossa classe só vai mesmo é ser convidada para aplaudir, e as empresas que tem filiais aqui nem recebem ou indicam os projetos dos nossos irmãos para competirem com as renúncias fiscais que usufruem, e ainda corroboram para que outros sejam executados aqui, atestando que somos mesmo jogados ao relento cultural. Não basta só ganhar dinheiro aqui com as nossas riquezas naturais e de estratégias, mas valorizar o nosso povo e nossas artes.

Se pudesse dividiria as artes em cinco segmentos culturais, por cinco regiões e convidaria a classe artística para apresentar seus projetos junto à instituição que o representa para escolher 12 deles e encaminhar ao poder público, que os adotariam. Pode ser por edital próprio.

Como seriam segmentados:

A – Música.

B – Artes Cênicas.

C – Artes Visuais.

D – Humanidades.

E – Audiovisual.

Como seriam as regiões, no caso de Rondonópolis:

01 – Centro.

02 – Vila Operária.

03 – Jardim Atlântico.

04 – Vila Olinda.

05 – Monte Líbano.

Concitaria os dirigentes a dispensar um valor mínimo mensal para esse projeto, que seria dividido por cinco projetos mensais, um de cada segmento atendendo as cinco regiões, com pelo menos um projeto naquela região por mês.

Não precisa ser Secretaria de Cultura, departamento ou setor. Basta o interesse político de querer fazer, e fazer.

Com renúncia fiscal? Sim, igual à maioria das cidades brasileiras, estados e a União. Convicto estou que cada centavo renunciado a um projeto artístico o proponente conseguirá multiplicar por três, poderá oferecer contrapartida social e até de acervo para construir o patrimônio cultural da nossa cidade.

Se financiasse R$ 10.000,00 para cada projeto daria R$ 600.000,00 por ano, muito aquém da Lei Juca Lemos, já aprovada, mas ninguém quer entrar com mandado de segurança, então vamos apoiar o novo mandato, o próximo prefeito.

(*) Hermélio Silva é escritor e membro fundador da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 6.

 

 

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