“Bons pais” ensinariam seus filhos a ler os poemas de Shakespeare, Fernando Pessoa, William Wordsworth e T.S. Eliot. Assim como os de Assis, Meireles ou M. Bandeira. São poemas complexos, mas são benevolentes com todos aqueles que deles se apreciam. Isso em amplos aspectos e sentidos. E se você ler até o final, prometo que você entenderá a razão disso.

Engana-se quem pensa que a arte poética não tem função alguma, que é apenas para entreter, provocar sentimentos ou coisa parecida. Não. Na verdade, pesquisas inglesas de Neuropsicologia concluíram que o cérebro humano reage muito bem quando estimulado por uma linguagem mais complexa, metafórica e bem estruturada como geralmente são os poemas/poesias.

Para entender isso te convido a uma aventura imaginativa agora. Peço que você considere nosso querido cérebro como uma “engrenagem chefe” do corpo. Essa engrenagem possui “microrregiões” que sempre são ativadas com o exercício da leitura. Porém, quando se trata de leituras poéticas, seja qual for sua natureza, estrutura ou época de escrita, a nossa engrenagem chefe passa a ativar, simultaneamente, outras microrregiões que até então estavam inativas e inexpressivas. O que isso tem benéfico? Bom, se você aceitou a ideia da engrenagem chefe, aceitará também que essa peça funcionará melhor a seu favor se estiver bem lubrificada, e com suas capacidades mórbidas potencializadas. E é só isso que arte poética faz contigo! Em outras palavras, a experiência humana torna-se mais expressiva com uma boa poesia lida a cada fim de tarde (fica a dica). Memórias afetivas são ativadas. Ao passo que reflexões mais profundas são despertadas, e a capacidade interpretativa ganha uma acurácia impressionante. Pode também aumentar sua compreensão dos fatos que ocorrem a sua volta. Enfim, são muitos benefícios.

Para alguns sempre soará estranho a paixão pelas letras poéticas, até porque ela transcende o linguajar do dia a dia. Sim, isso é verdade, e é o ponto central que a distingue de qualquer outro estilo literário. É isso que torna essa arte tão convincente. Aliás, as expressões coloquiais não são apenas persuasivas, são também sutis, pois uma figura de linguagem pode muitas vezes penetrar numa fenda pequena demais para uma definição conceitual puramente culta. E fendas pequenas têm fama de serem reveladoras! Revelam sobre você mesmo, sobre o passado e sobre as pessoas a sua volta. Podem revelar o mundo a você!

Talvez você não tenha tido a sorte de ter aqueles “bons pais” para te ensinarem a ler poemas Shakespeare, Fernando Pessoa, William Wordsworth e T.S. Eliot. Mas isso não é motivo de lamento. Ainda há esperança. E a esperança move o mundo. E Olha, eu não perderia tempo, já procuraria a biblioteca mais próxima em busca de uns clássicos poéticos. A vida é curta, e as artes são muitas. Faça bom proveito!

(*) José Luiz Raymom, estudante de Psicologia da UFR. contato:[email protected]

 

 

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