As legislações do leite são uma realidade e estão trazendo preocupações para muitos. Um dos pontos de maior preocupação para os responsáveis dos laticínios é a coleta de informações no campo. Mas, talvez, alguns detalhes da normativa não tenham sido vistos com o devido cuidado, por exemplo, que a coleta das informações e de dados em campo não precisam ser presenciais.

Esta afirmação está descrita no “Guia Orientativo para Elaboração do Plano de Qualificação de Fornecedores de Leite – PQFL”, publicado pelo MAPA em novembro de 2019, na versão 1.3, item 3.9 das Auditorias Internas.

Em outras palavras, as avaliações e o levantamento de dados podem ser realizados in loco nas propriedades rurais, mas também, podem utilizar recursos tecnológicos para cumprir essa tarefa um tanto quanto desafiadora.

Coletar individualmente e planilhar os dados é algo trabalhoso e demorado. É necessário diversas pessoas e demanda tempo, algo que já está bem curto. Para laticínios com muitos produtores, há necessidade de uma força tarefa, afinal são muitas perguntas colocadas no questionário do MAPA. Assim, muitas análises das respostas precisam ser avaliadas.

Em reunião recente com agentes do setor, pairava uma grande preocupação no ar. Havia um temor de diversos atores, pois havia planos, enviados por alguns laticínios, que estavam bastante incipientes de informações, mesmo após o compartilhamento de um modelo por parte do Ministério.

Estes planos precisam, previamente, de informações concretas do diagnóstico das propriedades, que deve ser um relatório resumido, mas contendo os resultados encontrados na avaliação dos fornecedores de leite. Também precisa detalhar como é feito o agrupamento destes produtores. Nesta avaliação deve constar como está o atendimento aos requisitos de boas práticas agropecuárias. Para isto, torna-se imprescindível que seja realizado diagnóstico de todos os fornecedores.

Na avaliação deve constar quais possuem assistência técnica, a origem dos insumos, como estão os resultados das análises laboratoriais do leite, como CPP e CCS, a localização das propriedades, passando pelos controles sanitários, como controles de tuberculose e brucelose, assim como tratamentos de mastite, entre outros dados. Do mesmo modo, uma identificação das instalações que interferem na qualidade do leite.

Somente após a avaliação, de modo geral, são muitas informações que devem estar sistematizadas e compiladas, que a empresa irá descrever como irá realizar o agrupamento, se será por volume produzido ou valores de CPP, por exemplo. Após isto, deve descrever quais ações serão tomadas para corrigir as não conformidades encontradas.

O ministério também especifica que devem ser descritas:

1) Como serão coordenadas e gerenciadas as atividades;

2) Como serão os registros de cada ação executada;

3) Quais parâmetros foram avaliados para eleger os produtores;

4) Quais ações serão desenvolvidas, qual a metodologia utilizada e como serão implementadas;

5) A forma e a frequência das capacitações;

6) A frequência e a forma de realização das auditorias internas;

7) Quais os produtores serão atendidos (nome, cpf, endereço). Deve-se manter a lista atualizada indicando o período de atualização (a cada 3 meses, por exemplo). Esse dado poderá ser mantido em planilha eletrônica na empresa, devendo tal fato ser descrito no plano, caso seja essa a opção.

Quanto mais fornecedores (produtores) houver de um laticínio, mais informações ele precisará coletar e avaliar, para conseguir descrever os requisitos demandados para os planos. De forma a facilitar a captação destas informações, assim como, de compilação e análises, foi criada a plataforma Milk Wiki, em que foi embarcado todos estes requisitos, sob forte supervisão técnica. Ela e é acessada pelo celular, e as informações são inseridas diretamente no aplicativo. Os dados vão para a nuvem e são enviados ao laticínio, de forma ordenada e instantânea.

Uma outra boa notícia sobre esta plataforma, como também contém treinamentos de boas práticas, pode ser alvo dos projetos para o programa Mais Leite Saudável. Ou seja, aproveita-se bem a isenção fiscal que beneficia os laticínios.

Este é o momento de mãos a obra, aliás muito bits e cérebro à obra.

Por Roberta Züge, diretora Administrativa do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS); diretora de Inteligência Científica Milk.Wiki; médica veterinária Doutora pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP); Sócia da Ceres Qualidade.

 

 

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