Quando criança,
Eu procurava chifre na cabeça de cavalo.
Eram traquinagens de menino.
Chifre na cabeça de cavalo,
Era o que meu pai dizia.

Caía do galho da mangueira.
Corria descalço nos espinhos,
Crescia a barriga de lombrigas,
Pulava das cercas, estrepando os pés.

Resultado inesperadamente vago,
Casca de feridas untada no azeite,
Para sarar…
“Esse menino é danado”
“Ele é criança, home”.
Criança procura chifre na cabeça de cavalo.

Mas, cavalo que se presa não tem chifre.
Chifre na cabeça de cavalo,
Eram as minhas peraltices.
Escancarando o mundo do meu jeito,
Colocando-o de pernas pro ar.
“Esse menino tem saúde pra dar e cansar”
Ele tira do mel, o fel para ser feliz,
No sabor de ser criança.

(*) Isaías Dias é poeta e romancista, membro da ARL. Autor do Livro A Chalana do Adeus, contato: [email protected]

 

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