Todo mundo tem problemas sexuais, você se sentiu desconfortável ao ler isso?

Não precisa ter necessariamente disfunções sexuais, mas sim uma dificuldade em falar sobre sexo com os filhos e amigos, ou ter uma crença distorcida a respeito da sexualidade e, até mesmo dúvidas, sobre o assunto.

Quantas vezes você se perguntou se o que você sente no momento da relação sexual é normal? Quantas vezes você buscou saber se o que acontece com você é o mesmo que acontece com as outras pessoas? Quantas vezes você evitou falar com seus filhos a respeito da sexualidade por não saber como explicar, ou o quê explicar? Quantas vezes você foi ao ginecologista, ou urologista, mas ficou com vergonha de falar sobre o que lhe incomoda?

Ao longo da formação dos profissionais, em especial os de Psicologia, não se houve falar sobre sexualidade em um contexto mais amplo, não existe uma formação específica ao longo do curso que lhe deixará seguro para atender as queixas sexuais, em muitos casos é explicado apenas as patologias, cabendo ao profissional diferenciar do que seria normal do indivíduo, ou seja, vai do conhecimento, das crenças que o profissional carregou ao longo do seu desenvolvimento, o que pode ser passível de julgamento.

Quando esse paciente chega na clínica, já existe o tabu de ir ao psicólogo, falar sobre sua sexualidade acaba sendo ainda mais constrangedor. Se o profissional não tiver uma formação adequada, deixará este paciente em uma posição de culpa, fracasso, inadequação, de que está fazendo as coisas de modo completamente errado.

Portanto, quando informo sobre a importância de discutirmos a Sexualidade no âmbito da Saúde Mental, é para mostrar a necessidade de se qualificar sobre o tema e, de fazer a Psicoeducação Sexual nas faculdades, nas escolas, em casa e/ou no trabalho.

Essa ideia pode ser reforçada com uma preocupação que já existia desde 1978 com o Psicólogo Joseph LoPiccolo, informando que o desconhecimento e a ignorância a respeito do funcionamento sexual podem levar a ansiedade e consequentemente se chegar ao transtorno sexual, ou seja, pode levar a um problema mais grave.

É claro que atualmente a forma de trabalhar as disfunções e transtornos sexuais partem da premissa das crenças que o indivíduo tem da sua sexualidade e do seu parceiro, a forma como se percebe, assim como seus valores morais – religiosos – familiares, e suas experiências anteriores, suas emoções perante as situações sexuais.

A sexualidade compreende três pilares importantes: emoções, que se não cuidadas podem gerar desequilíbrio e sofrimento; pensamentos, em muitos casos são distorcidos, acreditando em crenças e mitos; comportamento, que pode ser afetado pelo pensamento e emoção, assim como um comportamento de risco adquirido através da falta de conhecimento.

Alguns dos grandes mitos que a cerca é acreditar que o parceiro é responsável pelo prazer da parceira e que a única forma de relação existente é a penetração, e quando o casal passa por uma situação onde esse ato está proibido por um tempo, eles acabam enfrentando uma crise no relacionamento. Diante dessa situação, você ainda acredita que a sexualidade não deve ser discutida?

(*) Lorena Scatolin Silva, Psicóloga | CRP 18/04496, com Formação em Terapia Cognitiva Sexual, especializando em Terapia Cognitivo Comportamental. E-mail: [email protected]

 

 

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