UFR dá mais um passo decisivo para a sua completa independência – (Foto: Arquivo)

 

Nomeada como reitora pro-tempore da nova Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) no último dia 12, a rondonopolitana Analy Castilho Polizel de Souza, 41 anos, será responsável por conduzir os trabalhos de transição que vão resultar na efetiva criação da nova universidade, como a transferência de todo o patrimônio material e quadro funcional. Formada em Agronomia pela Universidade Federal de Uberlândia, com mestrado e doutorado na área, numa entrevista exclusiva ao A TRIBUNA, ela fala dos trabalhos burocráticos para concluir a criação da UFR, de novos cursos e dos benefícios que isso deve trazer para a cidade e região.

Assim que se formou, ela conta que foi trabalhar como professora na Universidade Federal de Rondônia, de onde saiu no ano de 2008 para então retornar para sua cidade natal, a convite da então pro-reitora do campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em Rondonópolis, Sorahia Miranda de Lima (já falecida), para lecionar no curso de Engenharia Agrícola e Ambiental. Em 2009, ela assumiu a coordenação do curso e, em 2013, assumiu a direção do Instituto de Ciências Agrárias e Tecnológicas, para depois se tornar a primeira pro-reitora eleita do então campus da UFMT, em 2017, cargo que permaneceu até ser nomeada primeira reitora da nova universidade.

 

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Desde que retornou a Rondonópolis, Analy Castilho já se integrou à luta pela emancipação do campus e ajudou no processo de criação de programas de pós-graduação, exigência do Ministério da Educação (MEC) para que a desvinculação político-administrativa da matriz em Cuiabá de fato pudesse avançar. “Aí foi criado o mestrado em Educação e logo em seguida foi criado o de Engenharia Agrícola, e na sequência o da Geografia. Foi um engajamento que tivemos e que fortaleceu a pesquisa, pois para a criação de um curso de mestrado é necessário um número mínimo de publicações científicas, com o mínimo de pontuação. Não basta querer abrir um curso de pós-graduação, é preciso passar pelo crivo da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, vinculada ao MEC), que avalia os dados qualitativos e quantitativos da produção científica. Então, todo o corpo docente teve que se unir e produzir bastante para abrir esses mestrados”, explicou.

 

Nomeação de Analy Castilho Polizel de Souza, como primeira reitora da UFR, ocorreu no último dia 12, em Brasília, e foi bastante festejada – (Foto: Arquivo)

 

Graças a esse empenho, a Universidade Federal tem hoje em dia seis cursos de mestrado, o que somado aos esforços e mobilização da sociedade em geral e da classe política possibilitou a criação da UFR. “Nós tivemos que nos ajustar internamente para atender ao que o MEC exigia. E também houve o engajamento por meio do Comitê Pró-UFR, da imprensa, da sociedade civil organizada, da classe política e todo esse envolvimento fortaleceu a criação da UFR. Foi essa união que propiciou isso tudo e foi após a criação do Comitê Pró-UFR que a coisa andou, com a adesão de entidades, imprensa, classe política. Se tirássemos algum desses segmentos, nada disso aconteceria”, disse Analy Polizel.

A criação da UFR foi aprovada pelo Congresso e sancionada pelo ex-presidente Michel Temer, em 20 de março de 2018, mas a nova universidade não foi imediatamente criada em função da impossibilidade de se criar os cargos de reitor e vice para a mesma, o que exigiu que fosse permutado alguns cargos com outras universidades federais do país para que fosse nomeada a reitora pro-tempore da UFR, o que agora permitirá que a nova universidade tenha o seu próprio CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas), que por sua vez permitirá que todo o trabalho de transferência de patrimônio e funcionários de fato ocorra.

 

APOIO DECISIVO

Nesse ponto, a nova reitora da UFR faz questão de enaltecer todo o trabalho feito pelo senador Wellington Fagundes, que há tempos acompanha e apoia a instituição. “Não é à toa que o senador é conhecido como o pai da UFR. Foi ele que nos propiciou a audiência do Senado Federal para tratar da UFR, já articulou uma nova audiência para discutir os aspectos vocacionais da nova universidade. Ele já contribui com a universidade muito antes de se tornar UFR. Nós temos prédios construídos com emendas parlamentares dele, o Núcleo da Terceira Idade (Neati) e outros. Ele contribuiu desde a construção da universidade, até a efetivação da criação da UFR”, destacou.

Criação de novos cargos

Uma reunião agendada para a segunda quinzena de janeiro do ano que vem, no MEC, irá tratar da criação de novos cargos, como pró-reitores, chefes de departamento e outros, para as cinco universidades criadas por Temer em 2018, todas em situação parecida com a da UFR. Em seguida, ainda no decorrer de 2020, deverá ser realizado um concurso público para a contratação de técnicos administrativos, que serão responsáveis por serviços como compras, confecção da folha de pagamento, entre outras funções. Inicialmente, está prevista a abertura de 229 vagas para técnicos, além de 10 para professores. “O previsto são dez docentes, mas como queremos crescer, pleiteamos mais 50 vagas para professores, para os novos cursos que vamos criar”, declara a reitora.

 

Novos cursos

Com a nomeação da sua reitora e a consequente obtenção de seu CNPJ, a UFR deverá receber já a partir do próximo ano seis novos cursos: Direito, Agronomia, Física, Química, Odontologia e Farmácia, que dependem apenas de uma autorização do MEC para serem de fato concretizados. Mas, para conter as expectativas, Analy Polizel esclarece que ainda que sejam criados os novos cursos em 2020, a seleção dos novos alunos para os mesmos só deverão ocorrer a partir de 2021, já que há todo um trabalho interno a ser feito antes, como a contratação de professores e outras situações.

 

Emendas

“Nós tivemos que nos ajustar internamente para atender ao que o MEC exigia”

 

A nova reitora da UFR anuncia que já há emendas parlamentares na ordem de R$ 10 milhões destinadas para a UFR, sendo R$ 5 milhões da bancada federal e outros R$ 5 milhões do deputado José Medeiros (Pode), que devem ser liberadas no ano que vem e devem vir direto para o caixa da UFR, sem ter que passar pela UFMT. Esse dinheiro será usado para a conclusão do prédio do curso de Medicina, sendo R$ 3 milhões para sua finalização e R$ 2 milhões para reformas gerais, e os R$ 5 milhões restantes serão destinados para a construção de um ambulatório-escola, que ficará próximo da universidade e também do futuro Hospital de Câncer. Essa estrutura servirá tanto para que os estudantes de Medicina, Psicologia e Enfermagem possam praticar o que aprenderam, quanto para atender a comunidade em geral da cidade.

 

Eficiência energética

Outra grande novidade anunciada pela nova reitora da UFR é a formação de uma parceria com o Ministério Público (MP) e Polícia Rodoviária Federal (PRF) para um programa de eficiência energética, com a implantação de placas para captar energia solar. “Hoje, a nossa despesa com energia elétrica passa de R$ 2 milhões ao ano. Nós buscamos alternativas para podermos investir esse valor em outra área. Primeiro, nós nos inscrevemos num edital da Energisa e fomos contemplados com R$ 799 mil em placas solares e, além disso, outra parceria com o MP e a PRF, para geração de energia para os três órgãos, UFR, MP e PRF, também injetará outro dinheiro para finalizarmos isso. Já no início do ano que vem isso já terá início e tudo sem custo nenhum para a universidade”, externou.

 

Benefícios para a cidade e região

Além do aumento das pesquisas e do número de profissionais formados para servir à sociedade, a criação da UFR ajudará a consolidar Rondonópolis como um polo educacional, o que beneficiará não só a cidade, mas toda a região. Outro aspecto interessante para a cidade é que as licitações para as compras da universidade ou para a contratação de serviços será feito por aqui, o que somados com a contratação de funcionários efetivos e terceirizados, devem gerar um bom incremento na economia local, assim como na arrecadação de impostos. “São mais de 200 novos servidores que serão contratados por meio de concurso, vamos aumentar também o número de terceirizados, vamos ter obras, o que vai injetar novos valores na economia daqui. E isso é só o começo. E tudo isso será excelente para a nossa cidade e para a região. É algo extraordinário e será um grande avanço no ensino superior, sem contar a geração de empregos, o fato de que muita gente de fora virá para cá estudar, comprar no comércio local, alugar casas e apartamentos. Isso melhora a renda das pessoas, como ocorre na região do Jardim Atlântico”, definiu.

 

Período de transição

“É muito gratificante ser a primeira reitora da primeira Universidade Federal da cidade onde nasci”

 

Questionada sobre os prazos para a conclusão da transição de UFMT para UFR, Analy Polizel conta que houve casos de universidades que levaram de dois a oito anos para se tornarem independentes de suas universidades de origem. Ela esclarece que nesse período, terão que ser elaborados o regimento e o estatuto da UFR, que ainda devem ser aprovados pelo MEC. Esses documentos, que definirão a estrutura e a sua vocação educacional, devem ser elaborados com a participação da sociedade local e até regional, por meio do seu Conselho Diretor. Assim que esse período for superado, deverá ser convocada uma eleição para a escolha de um novo reitor para a instituição.

Analy Polizel conclui afirmando que se sente muito orgulhosa por estar à frente do processo de criação da nova universidade federal. “Meu sentimento é de gratidão, a toda a sociedade, à imprensa, em especial ao A TRIBUNA, que sempre nos apoiou, aos parlamentares, às entidades da sociedade civil, à sociedade como um todo, que abraçou a causa. Temos a consciência de que é um avanço muito grande e é muito gratificante ser a primeira reitora da primeira universidade federal da cidade onde nasci. É uma emoção e uma satisfação e meu desejo é que essa universidade seja sólida, cresça. Ajudar nesse processo está sendo muito satisfatório para mim. Estou extremamente feliz”, concluiu.

 

1 COMENTÁRIO

  1. A todos os que sonharam esse sonho, desde 1983, agradeço o empenho e o amor dedicado à causa.
    Nós passamos e seremos esquecidos, mas nosso sonho realizado ficará para muitas e muitas gerações que ainda nem nasceram.
    Um forte abraço aos jornalistas de A TRIBUNA que sonharam juntos.

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