Murilo e Matheus, programadores do game vencedor da Feciti – categoria Ensino Médio Anos Finais – (Foto: Patrícia Casali)

 

O game sobre bullying “Mental Damage” e o “Bullying na Escola” foram os vencedores de duas categorias da 4ª Feira de Ciências, Inovação e Tecnologia (Feciti), a de Ensino Fundamental Anos Finais e Fundamental Anos Iniciais. Os games foram idealizados e toda a programação foi feita pelos alunos da Escola de Tecnologia Happy Code.

Foram dois meses destinados a idealização, criação do jogo e programação do game “Mental Damage” da dupla de alunos do 6º ano do Centro Educacional Khalil Zaher e da Happy Code, Matheus dos Santos Abreu, 12, e Murilo Léo Verchietini, 12. O troféu é mostrado com orgulho, mas nada comparado à motivação com que a dupla explica como foi a construção da narrativa e de programação do jogo que conquistou alunos e avaliadores.

A triste realidade da luta do personagem que é atacado pelo opositor foi vivida pelos criadores do game. Tanto Murilo quanto Matheus foram vítimas de bullying na escola. A superação aconteceu depois que eles contaram o problema para os pais que organizaram os sentimentos dos filhos. Também encontraram apoio nos amigos e na escola que proporcionou palestras sobre o tema.

O game tem como personagem o Élio, um aluno que sofre bullying na escola por um colega de sala, o André. O jogo acontece em dois ambientes, um físico, a escola e o outro abstrato, psicológico de Élio. Na fase da escola, em que Élio atua no ambiente físico há uma narrativa com fala dos personagens, de agressão e reação da vítima, sempre de forma educada tentando melhorar o comportamento do colega. Depois, o jogo passa para o ambiente psicológico, em que Élio lida com as emoções. Nesta fase, o protagonista é representado por um coração que tem duas armas, um escudo e uma espada para se defender das várias espadas lançadas contra ele, que representam os ataques de André. No final do jogo, André acaba num orfanato para ser adotado, porque também era vítima de maus tratos.

Murilo destaca que mais importante que vencer é o game ajudar as crianças que sofrem bullying a superarem as ofensas que as afetam. “Esse é um problema real, acontece nas escolas e pode afetar as crianças e muitos pais nem sabem que isso acontece. Com o jogo, as crianças podem entender melhor o que vivem e aprender a superar, vendo os dois lados, o de quem é agredido e do agressor que também têm problemas”.

De acordo com o Matheus, a proposta do game é ajudar as pessoas para que o mundo seja um lugar melhor. “Queremos que o jogo contribua para que as crianças superem o bullying e vivam melhor. O jogo também serve para informar sobre esse tipo de ofensa e apontar formas de se lidar com isso para que as crianças não sofram e superem o fato e se fortaleçam.”.

Os pequenos Miguel Alencar, 8 anos, e Lucas Lima, 8 anos, ambos do 3º ano do Ensino Fundamental também programaram um game com um herói, que é agredido verbalmente por colegas. James é chamado de “magrelo” fica magoado e resolve contar para a diretora o problema, mas encontra vários obstáculos a serem superados no caminho, como pedras e bolas de gude que precisam ser removidas. Por outro lado, o herói também recebe bônus, são elogios dentro de moedas de chocolate, quando supera obstáculos. No final, também supera o bullying.

 

Miguel e Lucas no estande da Feciti – (Foto: Patrícia Casali)

 

Miguel com seus 8 anos entende que o bullying é ruim para as pessoas, diz nunca ter sofrido bullying mas conta que assistiu acontecer com colegas. “Não é bom passar por isso. O jogo pode ajudar as pessoas nisso”. Sobre ganhar o prêmio ele resume o sentimento em duas palavras: – foi show.

Lucas que no auge de oito anos coleciona games, este já é o terceiro programado por ele, mas desenhos de jogos coleciona. Faz desde os 5 anos de idade. A exemplo do amigo diz nunca ter sido ofendido por colegas, mas já viu acontecer com familiares. É taxativo ao dizer que quem ofende o outro não respeita as diferenças e que isso é triste. “O jogo é importante porque ensina as pessoas a respeitarem os diferentes e não fazerem o bullying e quando superam os obstáculos ganham elogios em forma de moedas de chocolate”.

PREMIAÇÃO

Para a diretora da Happy Code, Nagia Zaher, a participação da Feciti foi muito importante para motivar os alunos no sentido de criarem projetos para o bem comum. “A ideia era participar do evento de ciência e tecnologia porque este é o futuro, para que pudessem conhecer outros projetos e trocarem experiência. Mas para a nossa surpresa os meninos foram vencedores e isso superou todas as nossas expectativas. Feciti foi o início de uma ótima jornada e uma experiência para as crianças e também para os pais”.

COLÔNIA DE FÉRIAS

A Happy Code é uma escola de tecnologia e neste final de ano terá colônia de férias de uma semana com cinco agendas todas de uma semana para os pais escolherem. De 9 a 13 de dezembro, outra de 16 a 20 e em janeiro de 13 a 17; 20 a 24 ou de 27 a 31. São cinco dias de aulas em que as crianças aprendem programação e robótica para criação de jogos de Minecraft, Roblox, Youtuber Júnior, desenvolvimento de games e criativo e maker.

 

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