Tribunal de Justiça aprova projeto para tratamento de presos dependentes químicos – (Foto: Divulgação/TJMT)

 

Um projeto pioneiro no tratamento de dependência química de reeducandos do sistema prisional será possível graças ao Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT), que irá investir na capacitação de médicos que atuam nas unidades penitenciárias para uma técnica que alia acupuntura e medicamentos no controle de liberação de dopamina e serotonina, neurotransmissores relacionados à sensação de prazer e que também são liberados quando é feito uso de drogas.

A aprovação do projeto pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha, ocorreu durante reunião semana passada. “Tudo o que for pra ajudar, que tenha sucesso […] Vamos fazer tudo o que for possível”, afirmou, acrescentando que louva todos os estudos e pesquisas feitas no intuito de curar dependências químicas.

 

 

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Na ocasião, a ideia foi apresentada pelo desembargador Marcos Machado, coordenador da Comissão Especial sobre Drogas Ilícitas e pelo médico especialista em dor, Reinaldo Coutinho. Este explicou o processo de dependência química, uma alteração neurológica que ocorre em pessoas que, em sua constituição genética, sofrem com baixos níveis de serotonina e dopamina. Tais neurotransmissores produzem a sensação prazerosa, mas, em doses altas, podem causar lesões cerebrais e até mesmo doenças mentais, como a esquizofrenia.

Diferentemente dos métodos tradicionais, em que o dependente químico é colocado em abstinência, o tratamento proposto por Coutinho não causa sofrimento ao paciente, já que ele receberá a administração de dopamina e serotonina no organismo.

Isso se dá por meio de pontos cirúrgicos feitos em uma das orelhas do paciente, que retira os pontos em 60 dias. Aliada a essa técnica inspirada na acupuntura, o tratamento também se baseia no uso de medicamentos pelo período de 6 meses.

Reinaldo conta que começou a usar essa técnica não com usuários de drogas, mas com pacientes que sofriam de fortes dores, no Hospital Universitário Júlio Müller. Em parceria com o Poder Judiciário, por meio do Juizado Especial Criminal, ele também realizou a capacitação de outros sete médicos da rede pública de saúde de Cuiabá, que adotou o método.

Após essa experiência foi que o desembargador Marcos Machado vislumbrou uma oportunidade. “Eu passei a acreditar porque presenciei, testemunhei e constatei a eficiência do tratamento […] Nós estamos agora ampliando para o sistema prisional com a expectativa do Estado enxergar a grandeza desse projeto”, disse.

Conforme destacado pelo magistrado, a redução de dependentes de drogas nos presídios trará inúmeros benefícios para o sistema penitenciário, como por exemplo a redução de circulação de drogas nas unidades, onde os entorpecentes são usados como moeda de troca, menos flagrantes de visitantes tentando entrar com drogas nas cadeias, menos reincidência de presos que cometem crimes para manter o vício.

 

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