A Igreja Católica, neste final de semana, inicia o ano litúrgico. Para o calendário civil, 31 de dezembro é o último dia e 1º de janeiro o primeiro dia do ano. A celebração de Cristo Rei anuncia o final do ano litúrgico e o primeiro domingo do advento inicia o novo ano litúrgico como preparação para o Natal.

É tempo de proclamar e testemunhar que “a nossa salvação está mais próxima agora, do que quando abraçamos a fé” (Rm 13,11). A Igreja convida-nos a refletir sobre o mistério de Cristo, sempre novo que o tempo não pode esgotar. Cristo é o Princípio e o Fim. Graças a Ele, a humanidade avança em peregrinação para o cumprimento do Reino de Deus “que se faz menino quando o queremos todo-poderoso, faz-se frágil quando o queremos forte, faz-se compassivo quando o queremos dominador. Deus vem, entra na nossa história, faz-se gente, pisa neste chão, assume as nossas dores e nos salva”.

O Advento antecede o Natal e nos põe em ritmo de espera e esperança. Recria a expectativa de chegada e de acolhida. É o Senhor Deus que vem. Ele quer ser acolhido por cada um de nós, pelas comunidades e por toda humanidade. “Vinde todos da casa de Jacó, e deixemo-nos guiar pela luz do Senhor (Is 2,5).

A Palavra de Deus (Mt 24,37-44) nos situa na caminhada da comunidade cristã entre a primeira e última vinda, que é também nosso tempo, pelo qual todos caminhamos. Por isso é preciso acordar a comunidade cristã; convidá-la a abrir os olhos para descobrir o agir de Deus no cotidiano da vida. “A vida do ser humano não se encerra nos limites da história, nem se resume em comer e beber, nem em procurar aproveitar a vida”. (Carlos A. Contieri, sj). São João Paulo II ensina que “Advento encoraja-nos a estar vigilantes e conscientes de que o Reino de Deus se aproxima”.

A espera desperta uma expectativa. Há o cuidado da preparação do ambiente, da acolhida, da manifestação do amor e carinho. A atitude de acolher bem as pessoas proporciona um ambiente de diálogo, de alegria e de confiança. Esperar a chegada do Senhor é desenvolver a sensibilidade para perceber os sinais da presença do Deus na vida, na comunidade e na sociedade apesar dos desafios da realidade humana e da realidade social.

No advento somos chamados a manifestar os sinais de Deus no meio de um mundo marcado por fome, desigualdades sociais, guerras, corrupção, violência e males que afligem a humanidade, desfiguram o rosto das pessoas e expressam a ausência de Deus na vida. Deus vem e traz vida. O advento é tempo para revisão de vida, para recriar novas relações na sociedade, novas estruturas em favor dos pequenos e dos pobres. O profeta Isaías clama: “Esta é a voz que grita no deserto: preparai os caminhos do Senhor, endireitai suas estradas para que todas as pessoas possam ver a salvação de Deus” (cf Lc 3,5).

A preparação da vinda do Senhor concretiza-se em gestos concretos de solidariedade. Muitas iniciativas de partilha acontecem nas famílias e nas comunidades. Recria dentro de nós maior sensibilidade em favor dos que sofrem e vivem à margem da vida. É chamado para “endireitar os caminhos tortuosos”, para construir uma sociedade marcada pela justiça, partilha, igualdade onde todos têm acesso às necessidades básicas como alimento, saúde, moradia, educação, lazer e dignidade humana.

Deus quer nascer no “presépio do mundo” e ser sinal de vida, de esperança e de salvação. A nossa atitude é de acolhimento, de mudança das estruturas para recriar um mundo novo. “Deus vem ao nosso encontro”. A iniciativa é dele. Ele nos amou por primeiro. Mas Deus espera que cada um saiba acolher o irmão para nele ver e sentir a presença de Deus. “Deus da vida, da justiça e do amor, Tu fizeste com ternura o nosso planeta, morada de todas as espécies e povos”.

Que o Sagrado Coração de Jesus, patrono da Diocese, derrame abundantes graças e bênçãos sobre cada um de nós. Saúde aos doentes, alegria aos tristes, esperança aos desanimados.

(*) Dom Juventino Kestering, bispo da Diocese de Rondonópolis-Guiratinga

 

 

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here