Eu acho muito interessante (para não dizer outra coisa) quando alguém comenta comigo que está aprendendo ou praticando inglês assistindo séries, outrora chamadas de seriados e, mais recentemente, batizadas de franquias. E, para não fugir à regra, isso aconteceu mais uma vez um diazinho desses. Ainda bem que, como quase sempre acontece, eu estava de bom humor.

Convenhamos que quem se atreve a dizer que está “melhorando” o seu nível de conhecimento ou de comando da língua inglesa deve, no mínimo, estar se referindo a ser capaz de pronunciar adequadamente tanto o título da obra cinematográfica em questão quanto o nome dos atores e das personagens que dela fazem parte. Mormente se estivermos falando da série/franquia favorita dessa pessoinha. Ou será que eu estou exagerando?

A propósito, não considero exagero algum pedir (e eu geralmente peço!) para o serumaninho que cai na besteira de me dizer que adora essa ou aquela produção mencionar uma palavra ou expressão que foi aprendida ou (se não for pedir muito…) uma fala ou passagem da obra (em inglês, claro!) apenas para ilustrar (ou confirmar) o que ele (ou ela) está dizendo. Resultado em 99,9% das vezes: a criaturinha simplesmente não se lembra! Como isso é possível?

Uma das muitas razões para a ocorrência desse fenômeno é confundir aprendizagem com entretenimento. Não que as duas coisas não possam andar juntar. Prova disso é que o termo edutainment (junção de education com entertainment) existe e é levado muito a sério no meio educacional na Europa e nos Estados Unidos, sendo parte integrante daquele grupo de palavras que estão listadas nos maiores (e supostamente melhores) dicionários disponíveis no mercado, inclusive nas suas versões online.

O grande porém nessa tentativa de aprender/praticar inglês através de filmes é justamente assisti-lo poucas vezes e não prestar a atenção devida (fazendo algumas anotações, se preciso for). Voltar as cenas mais marcantes da trama, colocar as legendas na tela, silenciar o televisor/computador e ler apropriadamente (em voz alta) os diálogos dessas cenas são, ofcoursemente, formas pouco originais, mas efetivas de trazer maior probabilidade de aprendizagem tendo como base uma produção da indústria do entretenimento tão poderosa como o é o cinema, a tão aclamada sétima arte.

Quando disponíveis em discos, pen drives, HDs ou na memória do computador, essas obras podem ser esmiuçadas ainda mais se a criaturinha transmutada em aprendiz tiver tempo e interesse na observação dos créditos iniciais e finais, nos extras que são ofertados e até mesmo nos textos informativos que aparecem na capa e contracapa dos DVDs/Blue-rays disponíveis no mercado. O que não faltam são opções, bem mais limitadas para aqueles que preferem assistir filmes “no original” por intermédio do canal HBO (e similares) ou da Netflix.

O fato é que é aceitável a crença de que é possível aprender ou praticar inglês fazendo uso de séries ou seriados, atuais ou de décadas passadas. O que não é aceitável, na minha humble opinião, dear reader, é a manutenção da mania que as pessoas têm de confundir diversão com aprendizado, embora as duas coisas possam ser complementares, ressalto. O que raramente acontece na preocupante realidade linguística que temos na nossa cidade e região, infelizmente.

(*) Jerry Mill é mestre em Estudos de Linguagem (UFMT), presidente da Associação Livre de Cultura Anglo-Americana (ALCAA), membro-fundador da ARL (Academia Rondonopolitana de Letras), associado honorário do Rotary Club de Rondonópolis e autor do livro Inglês de Fachada

 

 

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