(*) Eliene Paulina

No Brasil, o campo da saúde mental constitui-se a partir de política pública que direciona o funcionamento de seus serviços segundo uma lógica de tratamento distinta da manicomial. Partindo das premissas da reforma psiquiátrica, o atendimento nesse campo deve ser de base comunitária e implicar vários profissionais. Nesse contexto, nas respostas às demandas de atendimento os profissionais devem respeitar as diretrizes do SUS e da política pública de saúde mental brasileira, assim como a particularidade de cada caso. Ao mesmo tempo, é livre para trabalhar de acordo com a abordagem teórico-metodológica de sua escolha.

Sigmund Freud, o pai da psicanálise, foi um dos primeiros instituidores da ciência psicológica como causa dos distúrbios psíquicos do ser humano. Isto é, ele descobriu as causas psicológicas das doenças, para além das causas orgânicas. Instituiu assim uma Psicopatologia como ciência, compreensão e tratamento da saúde mental. Assim como contribuiu para uma reflexão e teorização da cultura humana em convivência social.

“Segundo (FREUD, 1913) A psicanálise é um procedimento médico que visa a cura de certas formas de doenças nervosas (as neuroses) através de uma técnica psicológica.”

Desse modo, o fundador da psicanálise, em seu campo teórico e clínico, trouxe a singularidade de cada sujeito em particular para o contexto de estruturação da psicologia como método científico, ou seja, para a generalização da psicanálise enquanto técnica de tratamento das doenças psíquicas. A partir disso, seus seguidores continuaram a aplicar e desenvolver sua técnica com um tipo de clientela específica. Dentre seus seguidores que mais trabalharam com a saúde mental da criança, destaca se Anna Freud, Melanie Klein, D. Winnicott, Dolto, Aberastury.

No âmbito da clínica psicanalítica infantil, inúmeros autores apontam para a articulação entre a demanda inconsciente dos pais e o sintoma infantil.

Dolto (1988) compreende que a criança encarna e presentifica através dos seus sintomas as consequências de um conflito vivo, familiar ou conjugal, camuflado e aceito por seus pais. Cabe a ela suportar, inconscientemente, o peso das tensões e interferências da dinâmica emocional sexual inconsciente em ação nos pais, cujo efeito de contaminação mórbida é tanto mais intenso quanto mais se guarda ao seu redor o silêncio e o segredo. Logo, os sintomas infantis manifestos de impotência são uma ressonância às angústias ou aos processos reativos às angústias dos pais.

Ressalto a importância da teoria freudiana na compreensão e no cuidado e tratamento de cada indivíduo em particular, destacando a questão da originalidade em sua obra, assim como a autonomia do sujeito e de suas produções psicológicas. A criança, nesse âmbito, assume mais uma vez uma posição de um sujeito em formação que precisa ser vista em sua singularidade única e própria da sua idade.

A criança apresenta o sofrimento psíquico “o sintoma” através dos “más” comportamentos, decorrente de frustrações, angústia e dores, e correm os riscos de não serem entendidas em seu contexto, e serem negligenciadas sendo compreendidas como “birras, desatenção, preguiça, teimosia, mal – criação” e entre outras interpretações que possa surgir da parte dos adultos referente aos comportamentos manifestos nas crianças, qual na verdade é o seu jeito de expressarem que não estão bem.

As crianças apresentam as dores de uma forma indireta, à mudanças de atitudes em seu cotidiano, podendo se comportarem de uma forma agressiva com os adultos que ama, como: os pais, irmãos, professora e amigos.

Podem ocorrerem perturbações no sono, tais como insônia, “pesadelos”, até mesmo dormir exageradamente. Abandonarem as brincadeiras, passarem a ter medo de ficarem sozinhas. Uma criança dificilmente irá falar verbalmente que está passando por uma angústia, por isto demostra nestes comportamentos.

Deve-se ter cuidado com a romantização da infância, os adultos precisam estar atentos ao cotidiano da criança, é necessário que saía do senso comum para que possa enxergar a realidade do mundo da criança.

Para os pais a uma certa dificuldade de perceber o sofrimento psíquico de uma criança, devido a mesma apresentar “comportamentos normais da infância”. Mas que pode ficar exacerbada, a criança pode passar a chorar “por qualquer coisa” este choro tem um sentido. Quando a criança passa a mentir, é a sua maneira de dizer que algo está lhe acontecendo. De repente para de se alimentar ou passa a comer excessivamente.

Ocorre também a exclusão, uma criança que é muito amorosa e passa não querer ter mais contato com ninguém, não aceita mais um carinho, e cai o rendimento escolar.

Estes sintomas não são comportamentos normais e passageiros da fase infantil, e sim um pedido de socorro. Deve se estar atento, o que está por trás destes comportamentos.

É preciso entender o que está acontecendo com a criança, compreender os seus sentimentos, se perceberem que não está sabendo lidar com a situação, é fundamental procurar a ajuda de um profissional para cuidar do bem estar emocional da criança.

Para esta realidade a ciência da psicologia em suas diversas abordagens oferece profissionais que ajudam as crianças a elaborarem e superar os seus sintomas.

(*) Eliene Paulina, psicóloga clínica CRP – 18/04393

 

 

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