Não deixa de ser assustador o número de casos de violência doméstica contra as mulheres em Rondonópolis. Somente de janeiro a agosto deste ano, foram 676 casos de violência doméstica, ou cerca de 2,8 casos ao dia, apontou o Conselho da Mulher e uma reportagem veiculada por este jornal em sua edição de domingo passado. O quadro demonstra, claramente, que a política de segurança pública voltada à prevenção e repressão à violência contra as mulheres, está sendo ineficiente. Ainda que não se possa afirmar que os casos têm aumentado, com toda certeza, se pode afirmar que os números não têm diminuído.

Então, do ponto de vista de combate pura e simplesmente, as políticas públicas não têm refletido na diminuição dos números, que teimam em crescer.

Não é só em Rondonópolis que a estatística assusta. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), relativos ao ano de 2017, o número absoluto de homicídios cresceu 4,2% em relação a 2016, enquanto a taxa de mortes de mulheres foi de 5,4%. Os dados também mostram que destes homicídios, nada menos que em 28,5% dos casos as mulheres foram mortas dentro de casa.

 

 

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Como em outras situações, é preciso, antes de tudo, se entender a origem do problema. Ou seja, para se entender o porquê desses crimes é necessário, primeiro, entender que essa violência, na maioria dos casos, deriva do machismo cultural incrustado na nossa sociedade, que faz um homem se sentir superior e dono de suas respectivas companheiras ou ex, em choque com os novos tempos, onde as mulheres conquistam liberdades e se colocam em pé de igualdade com os homens na questão dos direitos, o que não poderia ser diferente.

 

 

Desse choque entre o passado e o presente, resultam os casos de intolerância e violência doméstica, quando os homens se utilizam da força para estabelecer suas vontades e descarregar suas frustrações.

É nítido que as mulheres tomaram coragem e, em sua grande maioria, denuncia seus agressores, mas o Estado tem sido incapaz de lhe garantir a segurança a partir daí, uma vez que mesmo denunciados, eles agridem ou matam suas companheiras. Isso demonstra que o trabalho agora tem que ser focado em punir com mais rigidez os agressores. E claro, conscientizar as novas gerações.

 

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