(*) Francisco Assis

Adotou a rua como seu lar
Por não ter onde dormir
Foi num desencontro familiar
Que assim preferiu sair.
Chegou a ser levado ao abrigo
Para ter dignidade e asseio
Mas nem deu tempo de fazer amigos
Logo fugiu pra onde veio.
Trazia uma face sofrida
Com barba grande sem fazer
Levava assim sua pobre vida
Que optou em viver.
Sua família tentava de tudo
Para acolhê-lo novamente em casa
Mas o moço nem morrudo
Uma tanajura sem asa.
Não era daqueles pedintes
Porém ganhava sempre o que comer
Pousava em diferente lugar no dia seguinte
E acordava bem antes do amanhecer.
Não fazia uso do banho
Para sua higiene corporal
Era andarilho com hábitos estranhos
Quem era ele afinal?
Sofria ataques durante o dia
De preconceitos nocivos
Abaixava a cabeça e saía
Pois não trazia perfil de agressivo.
Até que certa manhã não foi mais visto
Perambulando pela cidade
Mesmo assim sua família fez o registro
Por temer uma fatalidade.

(*) Francisco Assis Silva é poeta e militar – email
[email protected]

 

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