Questionamentos no trânsito: Faixas após semáforos causam riscos

3435
Pedestres na faixa adicional reclamam que não conseguem visualizar se semáforos estão abertos ou fechados para passagem com segurança – Foto – A TRIBUNA

 

A pintura de faixas de pedestres adicionais após os semáforos em diversos cruzamentos da região central de Rondonópolis tem causado transtornos e riscos frequentes no trânsito. A reclamação dos pedestres é que, como as faixas estão após os semáforos, não há como saber se o sinal está aberto ou fechado para a passagem nas vias com segurança.

Quando do começo da pintura desse novo modelo de sinalização nos cruzamentos, em abril deste ano, a Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito (Setrat) havia informado que estava tentando implantar uma dinâmica para dar preferência nessas faixas de pedestres, mas que não vinha conseguindo configurar um novo sincronismo para esses semáforos.

 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


 

 

A Setrat terminou por estender para todo o quadrilátero central o modelo de faixas de pedestres nos quatro pontos dos cruzamentos. O novo modelo de sincronismo nos sinais não foi viabilizado e, mesmo assim, não houve nenhuma campanha de esclarecimento ou orientação aos pedestres e motoristas em relação às faixas após os semáforos. A única orientação nas faixas adicionais foi a inscrição no chão da palavra “olhe” e da seta indicando para o outro lado da via.

Como nos cruzamentos existem semáforos, vale dizer que a prioridade nessas faixas não é dos pedestres. A legislação estabelece que a prioridade é do pedestre quando não houver semáforo no trecho. A dúvida surge justamente porque os pedestres não conseguem visualizar se o sinal está fechado ou não. As reclamações e dúvidas quanto ao novo sistema, desde então, estão na boca dos rondonopolitanos.

Tem sido uma unanimidade o entendimento de que, dessa forma, ficou perigoso para os pedestres, conforme constatado pelo A TRIBUNA. “Acho que ficou um pouco arriscado porque abre o semáforo, a pessoa está passando na via e não tem como ver o semáforo… Se tivesse um semáforo de pedestres, seria bom. Desse lado não dá para ver se o sinal está aberto ou fechado”, opinou a auxiliar financeira Francineide Silva dos Santos para a reportagem.

O pedreiro Valdinei Márcio e alguns amigos também estranharam o sistema ao atravessarem uma dessas faixas na Rua Rio Branco. “Ficou arriscado para o pedestre, ficou pior. Tinha que ter semáforo de pedestre. A gente não sabe se o semáforo está aberto ou fechado do outro lado, porque não dá para ver. Desse jeito, a gente não sabe se está na preferência ou não”, argumentou para a reportagem.

 

O taxista Ronildo Rodrigues Mota, com um ponto próximo a um cruzamento, testemunha que a confusão em função do modelo adotado é corriqueira. “O usuário não vê o sinal e por causa da faixa acha que tem a preferência, mas não é bem assim. Tem de olhar bem lá para o outro lado para ver se está liberado para o pedestre. Ficou arriscado! Às vezes acontece frenagens bruscas por causa desse problema”, externou para a reportagem.

“Acho que ficou perigoso dessa forma, porque, se a gente como pedestre vai atravessar na faixa, o motorista não pára. Se eu estiver na faixa, os motoristas não param porque está aberto para eles no sinal. Já aconteceu de eu pisar nessas faixas e o motorista não parar, porque o semáforo estava aberto para ele”, posicionou a enfermeira Valéria dos Santos.

O Jornal A TRIBUNA tentou ouvir ontem, por telefone, um esclarecimento do secretário municipal de Transporte e Trânsito, Rodrigo Metello, sobre os problemas gerados pelo novo formato de sinalização horizontal, mas não teve êxito. Anteriormente, a Setrat tinha falado que as novas faixas foram feitas de acordo com o Código Nacional de Trânsito.

 

SINCRONISMO – No sistema informado inicialmente, entre o abrir e fechar dos semáforos, haveria um intervalo de 15 segundos em que os sinais desses cruzamentos especiais ficariam fechados simultaneamente para a travessia segura dos pedestres pelas faixas. Até agora, conforme visto, nada desse sistema ser concretizado.

 

 

1 COMENTÁRIO

  1. De fato, as reclamações são procedentes! Faixas de pedestres deste tipo (ligando os quatro vértices do cruzamento) somente são possíveis em um sistema semafórico sincronizado e após uma ampla campanha de conscientização dos motoristas. Mas parece que em Rondonópolis é tradição colocar o carro na frente dos bois, ou melhor, arrumar o carro sem ao menos ter bois pra puxar! É recapear o asfalto deixando essas malditas canaletas e poços de visita pra arrebentar os carros, é fazer ponte ligando nada a lugar nenhum e deixar as cabeceiras de fora (palavras do governador), é tentar aprovar loteamento sem qualquer infraestrutura (mesmo sabendo que é ilegal), é colocar aquele paliteiro de semáforos lá na rotatória do shopping piscando amarelo porque ninguém deu conta de sincronizar e depois tirar tudo sem nem ficar vermelho de vergonha (quando me lembro disso, me dá vergonha alheia), enfim… …são tantas coisas incompreensíveis que não dá nem pra enumerar!!!
    E vamos falar francamente: essa inscrição “OLHE”, pintada na faixa… …é uma piada né?! Precisa? Que transeunte em sã consciência, atravessa qualquer rua de Rondonópolis sem olhar pros lados, pra baixo, pro céu, pra frente e pra trás? Olhando já é 50% de chance de ser atropelado por esses motoqueiros que não respeitam absolutamente nada de sinal! Aliás, os motoqueiros são o de menos… …pra que faixa?????? É só andar no centro da cidade e constatar que o rondonopolitano não tem a menor ideia de pra que server uma faixa de pedestre! Todo mundo passa por entre os carros, sem o menor constrangimento!
    Francamente, em uma cidade onde não se pode andar pelas calçadas de tanto muambeiro vendendo de tudo, onde a histórica preponderância das farmácias nas esquinas está ameaçada pela inacreditável quantidade de raparigas batendo ponto, onde somente loucos acreditam que há preferenciais (tamanha quantidade de malucos que atravessam tudo sem nem olhar do lado), onde sequer a mão da rua é respeitada por motoqueiros que insistem em transitar na contra-mão, nada mais é de se espantar!

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here