A antiga sede da Fazenda Velha de Rondon é datada do final do século 19 e é uma construção anterior à fundação do Povoado do Rio Vermelho, que deu origem a Rondonópolis – Everton Neves

A nova pista da W11, conforme está traçado no mapa, segundo historiadora, vai passar do lado da antiga sede da Fazenda Velha – Divulgação

O anúncio da liberação de uma licença ambiental prévia para a construção da pista, que ligará a nova ponte da Avenida W11 com a BR 364, está causando preocupação entre historiadores e pessoas interessadas na preservação do patrimônio histórico e arqueológico da cidade, já que a nova pista passará ao lado da antiga sede da Fazenda Velha de Rondon, datada do final do Século 19 e até hoje de pé. A preocupação é que a obra possa danificar ou acabe por descaracterizar o casarão secular, sede da grande fazenda de outrora que pertenceu ao desbravador Cândido Mariano da Silva Rondon, o Marechal Rondon, que ainda não foi tombado como parte do Patrimônio Histórico do Município.

 

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A preocupação foi externada pela historiadora e museóloga Jocenaide Maria Rossetto Silva, professora da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), que se mostrou preocupada com a possibilidade de a obra da pista, ligando a nova ponte à BR 364, possa danificar a construção centenária.

“Essa casa é mais antiga que o Casario (tida como a primeira construção da cidade). É uma casa que data do final do Século 19, provavelmente do ano de 1897, por aí. Ela ainda não foi tombada como patrimônio histórico, tem uma importância histórica para o município e inclusive para o estado. E a nova pista da W11 vai passar do lado dela. E eu fiquei surpresa ao ler no Jornal A TRIBUNA que ela já tem até licença ambiental e me pergunto se foram feitos os levantamentos arqueológicos necessários”, ponderou a estudiosa.

Jocenaide explica que a Fazenda Velha era muito grande, com sua área indo das margens do Rio Vermelho até o Rio Ponte de Pedra e dali até o Rio Itiquira, mas foi toda sendo fatiada ao longo dos anos, restando pouco de sua área original.

“A sede da Fazenda Velha é um patrimônio histórico e arqueológico, então, é preciso se saber se foi feito o estudo arquelógico e minha sugestão é que seja feito logo o tombamento dessa casa. Isso é uma coisa importante e não pode passar assim. A prefeitura não se envolve nas questões do patrimônio (histórico da cidade), eu deixei um processo na prefeitura com cópia ao secretário de Cultura, tratando da situação das casas já tombadas e de outras que precisam ser tombadas, das praças. Mas a emergência agora está em cima dessa casa e precisamos fazer alguma coisa antes que ela seja derrubada. E se não for derrubada, corre-se um risco muito grande de ser descaracterizada, devido à proximidade com essa pista”, concluiu a professora Jocenaide Rossetto.

A casa que serviu de sede para a Fazenda Velha de Rondon é anterior à criação do Povoado do Rio Vermelho, ancestral do aglomerado urbano que viria a se tornar a grande e próspera cidade de Rondonópolis.

 

A OBRA DE CONTINUAÇÃO DA W11

A obra de ligação da nova ponte da Avenida W11 com a BR-364 terá um custo de cerca de R$ 11 milhões e será feita pelo Governo do Estado. A obra é aguardada há tempos e será uma forma de esvaziar parte do intenso tráfego de veículos na região central da cidade, principalmente de veículos que venham da grande região do Sagrada Família e iriam para os distritos industriais e que tenham como destino às BR 364 e 163.

 

 

1 COMENTÁRIO

  1. Preservação do patrimônio histórico sempre anda na contra mão frente a projetos de interesse da administração pública de caráter imediatista.
    Louvo a iniciativa da Dra. Jocenaide Rossetto na busca do tombamento de um patrimônio tão significativo para Rondonópolis a Cidade de Rondon

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