A felicidade acorda com o amanhecer

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(*) Juarez Alvarenga

A felicidade deve ser como café quente feito na hora. Colocar na garrafa térmica é dar nossa contribuição para sua conservação. Dizia um lavrador amigo que para ele felicidade é acordar bem cedo e sobre o frio de maio dar uma puxada gostosa no cigarro de palha. A intensidade em que buscamos a felicidade é proporcional a intensidade que o conquistamos.

O que vemos habitualmente é café amanhecido e frio. Nós seres humanos temos muita preguiça de requentar o café. Sentir seu gosto adocicado e conservar o paladar é a preocupação que deve rodear os pretendentes da felicidade.

Diz a filosofia popular que na vida não há felicidade e sim momentos felizes. Contrariando esta máxima, o que existe realmente é felicidade quase permanente contrário que o sofrimento e a dor é que são momentâneos.

Primeiro sintoma de quem é feliz é não andar no mesmo caminho sempre e com os mesmo passos. Devemos ter a sintonia de compreender os tamanhos dos passos a ser dados. Buscar novos trajetos nos levam a sensação de alivio existencial. Depois não sentir que a vida é um fato consumado. Ter sempre a sensação de novos horizontes juntamente com sua força interior potente nos conduzirá a qualquer distância imaginada.

Compreender que os incômodos psicológicos diários podem ser diminuídos ou até eliminados. O apego à dor é instrumentos destruidores de arco-íris. O mundo moderno está contaminado pelos vírus pungentes de ocultação da alegria. O ser humano está resistente em abrir seu interior e jogar nele simplicidade e gratuidade e o amor os três sustentáculos fixa a felicidade ao nosso redor.

Acreditar que todo amanhecer é sempre novo e que novas oportunidades surgem com o nascer do sol. Dando a nós a possibilidade de nova construção erguida com a sabedoria de quem já errou. Devemos evitar marcos em nossas vidas, pois não tendo como andar para frente a tendência é retroceder. Instantaneidade do objetivo alcançado devem ser um trampolim que nos impulsiona além de nossas pretensões.

O durante da conquista deve nos fazer permanecer fortemente na luta. Nada nos devem intimidar e fazer evaporar nossos sonhos retidos. Eles deverão ser teimosos. Os obstáculos encontrados devem ser retirados com paciência e determinação. Existe em qualquer conquista pedras impregnadas ao chão dificultando demasiadamente sua locomoção. E com alavanca e jeito devemos retirar com força de nosso íntimo.

O nascedouro de qualquer concretização é tosco e frágil. Mas nós seres humanos devemos impulsionar com fluxo inicial de uma fonte, ou seja, com toda intensidade. As manhãs devem ser como baú aberto. No seu fundo só devem conter coisas positivas significativas. E nós devemos remexer diariamente. Levar para superfícies as alegrias retidas e conter no seu fundo distante de nosso mundo as mazelas por ventura encontradas.

Quando o dia abre devem nascer em nosso intimo a doçura de viver vindo de um aroma novo de um mundo que nos oferece a possibilidade de acertos diários. Felicidade é sair da cama para o amanhecer com a motivação de um jogador de futebol numa decisão de Copa do Mundo. E nós como guerreiros de nossas próprias guerras íntimas devemos deslocar para nossas trincheiras e colocar em posição estratégica, pois somente assim poderemos ser atiradores só de alvos certeiros.

(*) Juarez Alvarenga, advogado e escritor – E-mail: [email protected]

 

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