A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat) irá promover um seminário hoje (20), no campus da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), para debater o Future-se, programa do Ministério da Educação (MEC) que prevê a entrada de dinheiro da iniciativa privada nas universidades públicas federais.

Com o nome de “A Universidade Pública Brasileira entre Impasses e Promessas”, o seminário tem por objetivo debater os impactos do programa nas universidades públicas, que além da entrada de dinheiro privado, também prevê o fim da autonomia da própria universidade escolher seus gestores.

De acordo com a presidente da Adufmat, Ivanete Rodrigues dos Santos, o objetivo do seminário é permitir que a comunidade acadêmica se inteire melhor sobre o que se trata o Future-se, que está sendo proposto pelo Governo Federal. “Nós estamos começando essa discussão, porque as universidades vão ter que decidir se vão aderir ao programa ou não. O que nós queremos deixar claro é o que significa esse programa para as universidades. Estamos trazendo o professor Salomão Barros Ximenes, da Universidade Federal do ABC (UFABC), que já vem estudando, que já fez toda uma análise desse programa e agora virá aqui a nosso convite para fazer esse debate com a gente”, explicou.

Ainda de acordo com ela, isso é necessário para que a academia possa se orientar sobre como se comportar diante da novidade. “Precisamos saber como nos posicionar diante desse projeto. Importante ressaltar que a UFMT, por meio do Conselho de Ensino e Pesquisa, constituiu uma comissão que já está analisando esse programa, pois nós vamos ter que emitir um parecer dizendo se nós vamos aderir a ele ou não”, completou.

 

Segundo Ivanete Rodrigues, as universidades já possuem mecanismos para a entrada de capital privado, por meio de suas fundações, mas o Future-se pretende aprofundar esse processo, retirando inclusive a autonomia das universidades de escolher seus gestores. “Na verdade, quando se adere ao projeto, quem passa a gerir a universidade serão Organizações Sociais (OS). Isso, numa leitura ainda preliminar, implicaria na perda da autonomia de gestão das universidades, além de afetar questões como as contratações de pessoal, na questão dos projetos de pesquisa, o que será colocado como prioridade não será mais definido por critérios científicos, mas por critérios de mercado. O que não for de interesse do mercado, será deixado de lado, o que consideramos ser um grande prejuízo para toda a sociedade, pois descaracterizaria a função social da universidade”, externou.

O seminário acontece hoje, em dois horários, no saguão da UFR. No período da manhã, a atividade acontece entre 9 e 11 horas. Já no período da tarde, entre 14 e 17 horas.

 

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here