A inovação sempre vence

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20/08/2019 – Nº 548 – Ano 13

 

(*) Eleri Hamer

A celeuma dos projetos que pretendem limitar ou coibir o uso de aplicativos de transporte de passageiros em diversas cidades brasileiras, inclusive aqui na nossa corruptela, me fez refletir sobre quando a sociedade tenta barrar as tecnologias ou o avanço das inovações, mesmo que sua implantação tenha amplos benefícios para ela.

Na prática, sempre que uma inovação impactante é inserida no mercado ela obviamente tende a mexer com o ambiente concorrencial, sua estrutura, e por consequência, com os players que atuam nele. E nesse sentido, interfere nos arranjos e nos interesses de determinados grupos.

De um modo geral, cada grupo de interesse utiliza as armas que possui enquanto o mercado fica ali esperando, só observando o desenrolar da disputa, embora sua escolha notadamente seja pelo benefício imediato, de curto prazo, e por consequência, a favor da inovação. Mas, normalmente, não se organiza para opinar ou fazer força a favor de alguém.

Ocorre que, mesmo com as barreiras, de um modo geral o mercado é soberano e os avanços tendem a serem implantados, embora com algumas dificuldades que possam ser inseridas por outros agentes. A exceção surge quando há uma intervenção pública, criando alguma barreira à entrada e desse modo mexendo no livre mercado.

As inovações normalmente vencem a guerra. Podem até perder algumas batalhas, mas no médio e longo prazo o resultado é a implantação e sua respectiva adoção. Os aplicativos de um modo geral (os de transporte não seriam exceção) são a bola da vez. Há espaço ‘ao infinito’ para sua utilização. Não há limite conhecido ainda.

No setor financeiro, por exemplo, primeiro foram as cooperativas de crédito que interferiram no mercado em favor da sociedade e continuam em expansão. Já foram motivo de grupos torcerem o nariz.

Há algum tempo surgiram as fintechs. Um exemplo clássico de inovação de ruptura, como já foi o streaming do Netflix, o UBER e o Airbnb, dentre outros. No início, muita gente também desdenhou ou mesmo ignorou as fintechs, mas aos poucos estão se tornando uma opção interessante.

As inovações não param e suas possibilidades se ampliam à medida que utilizações cruzadas se tornam realidade. Como o caso do uso dos carros autônomos pelo UBER em parceria com diferentes marcas internacionais, ampliando a utilização tanto da tecnologia do automóvel, como do aplicativo.

O setor de logística, talvez, seja um dos que mais será impactado nesse sentido. Os correios americanos, por exemplo, têm desenvolvido iniciativas no sentido de atuar também com carros autônomos, inclusive adquirindo participação em empresas desenvolvedoras de tecnologias nesse sentido.

Mesmo países fechados e com um altíssimo nível de controle geral acabam cedendo em algum momento frente às inovações tecnológicas. Algumas vezes por puro interesse coletivo e adoção planejada e outras de modo estratégico tendo em vista interesses nas relações internacionais.

O exemplo da vez é a China que recentemente anunciou que vai abrir o mercado de streaming de vídeos, música e games para as empresas estrangeiras. Isto é música (sem trocadilho) para os ouvidos dos investidores da Netflix, Spotify e YouTube, por exemplo. O que não se sabe ainda é se essas empresas estarão dispostas a se ajustar aos limitantes padrões chineses. Mas certamente é um avanço enorme.

Sempre que possível, o melhor caminho tem sido o de rapidamente se adaptar e criar algum diferencial percebido pelo mercado para fazer frente às inovações que surgem, dando tempo para que haja uma adaptação menos turbulenta e perniciosa para o seu setor e sua empresa.

Intempestivamente negar a inovação ou simplesmente tentar impedir o ingresso no seu mercado é uma das piores escolhas.

Até a próxima.

(*) Eleri Hamer escreve esta coluna às terças-feiras. É professor, workshopper e palestrante – [email protected] – originalmente publicado no Jornal A Tribuna – www.atribunamt.com.br

 

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