Agosto e o turismo de fumantes

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(*)Ailon do Carmo

Ao que tudo indica, agosto vem se consolidando como o mês escolhido pelos fumantes brasileiros para fazerem turismo pelas matas do nosso país, e em especial as de Mato Grosso e da Amazônia. Até aí, tudo bem; o problema é que, por “irresponsabilidade ou deseducação” – segundo alardeiam os órgãos de imprensa do nosso país (mormente TVs e jornais) –, as “bitucas” (restos dos cigarros) são jogadas nos matos secos à beira das estradas, provocando os incêndios pavorosos que vêm destruindo a nossa biodiversidade, e alarmando os povos de todo o mundo…

Tal assertiva – tão estranha quanto absurda – no entanto, não encontra agasalho nas mentes com um mínimo de normalidade psíquica: seria mesmo crível que uma ‘bituquinha de cigarro’, com uma minúscula, insignificante brasinha quase coberta de cinza, atirada no mato e logo caída ao chão, teria o poder alastrador de provocar os incêndios devastadores de nossas matas, como os que temos visto pelos órgãos de imprensa supra citados, todos eles ocorridos no supostamente fatídico MÊS DE AGOSTO?

O mais estranho nisso tudo, entretanto, é o fato de que em todos esses anos de denúncias desses desastrosos incêncios que vêm devastando nossa flora e nossa fauna, NINGUÉM – nem as autoridades responsáveis pelo setor, e nem mesmo a Polícia Federal – se interessou em investigar o que aconteceu, nos anos subsequentes à devastação dessas áreas pelos incêndios criminosos: se houve o tão propalado “reflorestamento”, com apoio dos milhões de dólares oriundos da Europa e dos Estados Unidos, ou se serviram de plantio de mais soja, milho e algodão – quem sabe responsáveis pelos badalados “recordes de produção”, anuais e progressivos, sempre com a falaciosa retórica do “sem aumento de área de plantio”… Até quando nosso povo será enganado? Pobre Brasil!

(*) Ailon do Carmo é advogado e historiador, membro-fundador e atual presidente da Academia Rondonopolitana de Letras – ARL

 

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