A importância da formação inclusiva para os professores da educação infantil

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(*) Carla Andressa

(*) Maria do Carmo

Sobre a Educação Infantil e a inclusão de crianças com deficiências, nota-se ainda muitos desafios impostos aos professores dessa importante modalidade, e aqui pretende-se enfatizar a necessidade constante de cursos, bem como a auto formação docente. Faz-se necessário também entender que a educação inclusiva é um movimento mundial fundamentado nos princípios dos direitos humanos e da cidadania, tendo por objetivo eliminar a discriminação e a exclusão, para garantir o direito à igualdade de oportunidades e à diferença; enquanto que educação especial é uma modalidade de ensino que visa promover o desenvolvimento das potencialidades de pessoas com deficiência, autismo, síndromes ou altas habilidades/superdotação e abrange desde a educação infantil até a educação superior.

Com a Constituição Federal de 1988, garantiu-se o acesso de todos com deficiência às turmas comuns do ensino regular, e isso traz à tona o sentido da escola, o seu papel e o desafio de considerar as diferenças nos ambientes escolares, fatores que qualificam e enriquecem o ensino.

Também a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei 9394/96, assegurou que a criança com deficiência física, sensorial e mental, pode e deve estudar em classes comuns. Dispõe em seu art. 58, que a educação escolar deve situar-se na rede regular de ensino e determina a existência, quando necessário, de serviços de apoio especializado. Preveem também recursos como: classes, escolas ou serviços especializados quando não for possível a integração nas classes comuns. O art. 59 contempla a adequada organização do trabalho pedagógico que os sistemas de ensino devem assegurar a fim de atender as necessidades específicas, assim como professores preparados.

Diante do exposto, já se pode entender o quão importante é esse trabalho, sendo resguardado por leis; porém ainda é relevante a reflexão sobre a participação dos professores em formações oferecidas, pois a demanda de crianças com alguma deficiência vem aumentando anualmente. Outro aspecto a ser discutido é que muitos professores chegam às salas despreparados para receber essas crianças, sendo que se deparam com essa realidade e com o seguinte questionamento: “Como vou incluir essa criança nas atividades que vou propor?”. Por outro lado, esse mesmo professor sabe que precisa oferecer uma educação de qualidade, levando em consideração a perspectiva de planejar as atividades contemplando as necessidades e os interesses de todas as crianças, independente de ter ou não deficiência.

Sendo assim, incluir as crianças deve se fundamentar na concepção orientada pelo reconhecimento das diferenças humanas e na aprendizagem centrada nas potencialidades das mesmas, sendo que através da inclusão a criança desenvolve a linguagem, o pensamento, a socialização, a iniciativa e a auto-estima, preparando-se para ser um cidadão capaz de enfrentar desafios e participar na construção de um mundo melhor independente das diferenças.

De acordo com Coelho (2012), a exigência da inclusão na escola regular passou a demandar dos professores preparo para atender a inclusão e a diversidade. Nesse sentido, deve-se elencar aqui questões como: peso, altura, cor, etnia, religião e classe social.

Para uma escola inclusiva, é preciso desenvolver uma pedagogia centrada na criança, sem discriminação respeitando suas diferenças, com professores que entendam sobre a diversidade e que lutem de forma comprometida para que haja o fortalecimento de uma sociedade democrática, justa e solidária.

Zimmermann (2008), afirma que a luta pela escola inclusiva exige mudança de hábitos e atitudes, pela sua lógica e ética nos remete a refletir e reconhecer, que se trata de um posicionamento social, que garante a vida com igualdade, pautada pelo respeito às diferenças. Nesse sentido, o modelo atual é um desafio aos professores, pois obriga-os a repensar sua maneira de ensinar, sua cultura, sua política e suas estratégias pedagógicas, adotando uma postura receptiva diante da singularidade que irá encontrar, a fim de detectar potencialidades e expor habilidades de acordo com a demanda de cada criança.

Enfim, é preciso destacar que além do professor, a família das crianças, a rede pública, privada de educação e sociedade em geral precisam assumir responsabilidades a fim de possibilitarem o melhor aprendizado a todos, pois sozinho, o docente não poderá efetivar uma escola fundamentada numa concepção inclusivista.

(*) Carla Andressa Santos Muniz e Maria do Carmo Ferreira dos Santos Silva, professoras da Educação Infantil na UMEI Monteiro Lobato

 

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