(*) Bruno Tavie

No dia 01 de junho deste ano, fez três anos que o nosso querido irmão bororo Gilmar Panakire foi morto no estacionamento do Atacadão da cidade de Rondonópolis. A morte de Panakire é fruto da negligência, que deixou um poste correndo eletricidade ao alcance dos seus clientes. Toda nossa comunidade Boe compra neste supermercado, mensalmente, nos dirigimos, com nossas famílias para fazer as nossas compras. Panakire era professor, deixou filhos, esposa e uma comunidade que sente sua falta, na educação das nossas crianças e na convivência da nossa aldeia.

Faz três anos que o triste fato aconteceu, e como sempre em nosso país, a sociedade não indígena abafa e esconde a violência contra os povos indígenas. Até o presente momento o inquérito policial não foi concluído e corríamos o risco de prescrever os direitos da família do Panakire, isto só não aconteceu, mediante a disponibilidade e dedicação dos advogados Rafaelly Rezende de Almeida e Erivelton Almeida Postil, que quando procurados, correndo contra o tempo se tornaram nossos fiéis aliados.

Três anos de dor, de saudade e de indignação, ficamos tristes em ver o fato sendo esquecido como tantos outros, que foram passados como o vento. Para a sociedade não indígena é só mais um índio que morreu, como escutamos no dia de sua morte: “também quem manda beber”, esquecendo que poderia ter acontecido com qualquer pessoa.

Para nós perdemos um irmão, um amigo, um líder comunitário, parte de uma luta. Por isso, queremos fazer memória, recordar este crime que ainda não foi solucionado e dizer que não nos calamos. O problema do nosso tempo é o silêncio dos bons.

(*) Bruno Tavie, cacique da Aldeia Corrego – Grande

 

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