Rotarianas

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(*) by Jerry Mill

Rumo ao seu 115° (centésimo décimo quinto) aniversário, a transcorrer no dia 23 de fevereiro de 2020, o Rotary Club está muito longe de ser aquela mesmíssima instituição que, surgida em 1905, nos Estados Unidos, passou por muitas transformações e/ou adaptações ao longo da sua incrível história, mas ainda apresenta certa tendência a manter intactas algumas das suas ‘tradições’.

Uma dessas práticas usuais, conscientemente ou não, é a manutenção da sua aura de ‘clube do Bolinha’, ou pelo menos eminentemente masculina, embora não necessariamente machista, ressalte-se. Prova disso, por exemplo, é que a entidade passou a aceitar mulheres no seu quadro associativo somente em 1989 (84 anos após a sua fundação!), depois de muita luta pelo flanco feminino e muito debate por parte da ala masculina pertencente à organização na época. Uma fração dessa resistência masculina se explica pela existência, desde os primórdios do Rotary, de grupos de mulheres que, impedidas de participar das reuniões oficiais do clube naqueles dias, começaram a se organizar para, mesmo que informalmente, fazer algo semelhante (e às vezes até mesmo melhor e mais organizado) através de comitês, que depois se transformaram na associação Inner Wheel (Roda Interna, em português), muito presente na Europa, Ásia e África, ou nas associações das senhoras de rotarianos (ASR), também conhecidas como Casa da Amizade (ou Friendship House, em inglês), um braço forte e atuante da chamada Família Rotária no continente americano até hoje.

Graças ao amadurecimento do pensamento masculino e às cumulativas conquistas (ou ‘empoderamento’) das mulheres, atualmente, segundo a revista Rotary Brasil n° 1164 (Ano 94, de junho de 2019, página 4), dos mais de 1,2 milhão de rotarianos existentes no mundo, quase 300 mil são mulheres. No Brasil, somos mais de 50 mil membros, dos quais menos de 15 mil são mulheres, ou seja, em ambos os casos elas perfazem menos de ¼ do total. Em tempo: em Rondonópolis, há apenas algumas dezenas de rotarianas em meio às centenas de rotarianos associados aos seis clubes de Rotary que existem na cidade. E o mais intrigante é que ainda há clubes em que o total de associadas é ínfimo, ou zero – seguindo normas adotadas internamente.

Para mim, talvez já tenha passado da hora de as coisas serem diferentes nesse sentido, a ponto de uma digna representante das mulheres ser finalmente alçada à condição/honra de se tornar (a primeira!) presidente do Rotary International (RI), algo que, pelo que se ouve falar nos bastidores da nossa instituição centenária, está prestes a acontecer. Que assim seja. E quem viver verá!

(*) Jerry Mill é mestre em Estudos de Linguagem (UFMT), presidente da Associação Livre de Cultura Anglo-Americana (ALCAA), membro-fundador da ARL (Academia Rondonopolitana de Letras), associado honorário do Rotary Club de Rondonópolis e autor da biografia Lamartine da Nóbrega – Uma História Como Nenhuma Outra

 

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