Com o pé esquerdo, o astronauta Neil Armstrong pisou em solo lunar pela primeira vez – Foto: NASA

 

Brasília

O Brasil não vai ficar de fora das comemorações dos 50 anos, completados ontem (20), da chegada do homem à Lua com a missão Apollo 11. Diversos eventos, organizados pelos Correios e pela Embaixada e Consulados dos Estados Unidos no Brasil celebram a data em que os astronautas Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins pisaram na superfície lunar.  Palestras, apresentação de filmes, exposições e também o lançamento de um selo comemorativo vão acontecer em Brasília, Belo Horizonte,  Rio de janeiro, Porto Alegre e  São Paulo.

O selo comemorativo sobre a jornada do homem à Lua trará um recorte da clássica foto, cedida pela NASA, de uma pegada deixada na Lua representando simbolicamente a famosa frase de Neil Armstrong: “Um pequeno passo para um homem, um salto gigante para a humanidade”.

De acordo com o encarregado de Negócios da Embaixada e Consulados dos EUA, William Popp, o objetivo é fomentar o interesse pela ciência, tecnologia, engenharia e matemática: “A nossa expectativa é compartilhar essa experiência histórica com as novas gerações, incentivando maior curiosidade pela área científica”, disse.

A programação em Brasília prevê uma série de atividades como palestras e mesas-redondas, no período de 25 a 27 de julho com a astronauta e primeira mãe no espaço, Anna Fisher, que falará sobre seu período trabalhando na agência espacial estadunidense, a NASA, e o impacto das mulheres nos campos da ciência, tecnologia, engenharia e matemática. No dia 31 de julho, o encarregado de Negócios, William Popp, o ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Marcos Pontes, e o presidente dos Correios, Floriano Peixoto, farão o lançamento do selo comemorativo da chegada do homem à Lua no Planetário.

Em Belo Horizonte a cerimônia de lançamento do selo comemorativo da chegada do homem à Lua ocorreu ontem (20), no Planetário do Espaço do Conhecimento da Universidade Federal de Minas Gerais. O evento faz parte das atividades da Virada Cultural da capital mineira.

 

No Rio de Janeiro, o Planetário abriu ontem a exposição “Um gigantesco salto: a jornada para a Lua”, que reúne fotos, ilustrações e vídeos dos arquivos da NASA sobre a trajetória das missões Apollo até o bem-sucedido pouso em solo lunar em 20 de julho de 1969. Haverá também o lançamento do selo comemorativo dos Correios. A exposição ficará aberta ao público por um ano. Em julho e agosto, serão exibidos filmes sobre a época da exploração espacial, seguidos de bate-papos com astrônomos e pesquisadores sobre as missões espaciais.

Em Porto Alegre, a programação já teve início, com a abertura, no dia 15, da exposição temática intitulada: “Um pequeno passo para um homem, um salto gigante para a humanidade – Celebração dos 50 anos da chegada do homem à Lua”, no Observatório Astronômico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Em São Paulo, as atividades tiveram início anteontem (19), no Planetário Professor Aristóteles Orsini no Parque Ibirapuera, com a abertura da exposição “Lua à vista: 50 anos do primeiro passo”. Nos dias 28 a 30 de julho, estão previstas palestras com a astronauta Anna Fisher. As atividades ocorrerão no Planetário e no Museu Catavento.

ALUNISSAGENS E GUERRA FRIA

O maior feito da aventura do homem no espaço, até agora, aconteceu em 20 de julho de 1969, um domingo, quando o engenheiro aeroespacial e astronauta Neil Alden Armstrong, então com 38 anos, colocou o pé esquerdo pouco antes da meia noite (horário de Brasília) em solo lunar.
O gesto foi acompanhado das célebres palavras pronunciadas por Armstrong e escutadas em cadeia televisiva: “um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade”.
A caminhada de Neil Armstrong e de seu colega Buzz Aldrin, por duas horas e meia, pela superfície da Lua selou a vitória simbólica dos Estados Unidos da América (EUA) sobre a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) na corrida espacial iniciada na década de 1950. As demais alunissagens foram feitas exclusivamente pelos norte-americanos até 1972, em cinco seguintes missões (Apollo 12;14; 15; 16 e 17), e confirmaram a hegemonia alcançada pelo Ocidente.
Até o programa Apollo, da National Aeronautics and Space Administration (Nasa), a corrida espacial era vencida com folga pelos soviéticos. Antes de colocar Gagarin no espaço e inspirar Vinicius de Moraes, a URSS lançou o Sputnik em volta da Terra (1957); enviou a cadela Laika (primeiro ser vivo) à órbita (também em 1957) e fotografou a face oculta da Lua (1959) – onde a sonda chinesa Chang’e-4 posou este ano.
“A intenção dos americanos naquele mundo bipolar era mostrar que eram melhores que o mundo comunista”, comenta José Bezerra Pessoa Filho, que trabalhou por mais de 30 anos no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos (SP), ao lembrar da guerra fria entre EUA e URSS, e que as naves espaciais eram transportadas por foguetes que também podem servir como mísseis de longo alcance, como o foguete R7 que levou o Sputnik à órbita da Terra ou o Saturno 5 que transportou a Apolo 11 ao espaço.
“A ida à Lua tem o contexto da propaganda e do marketing, mas foi fomentado pela questão militar. O contexto era de disputa pela hegemonia no planeta. As missões do programa Apollo são resultado direto da guerra fria”, acrescenta.

 

 

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