Carlos Antônio do Carmo, Agnaldo Alves da Silva e Giomar Maciel dos Anjos, representando os moradores de Jarudore – Patrícia Cacheffo

 

Preocupados com a desocupação de terras determinada pela Justiça, representantes de moradores de Jarudore procuraram o A TRIBUNA para falar sobre a situação daqueles que podem ter que deixar suas moradias. Como vem sendo amplamente divulgado, a Justiça Federal atendeu uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), e determinou, por meio de uma liminar, que um total de 4.706 hectares sejam desocupados por não índios e a posse dessas terras entregue para os Bororos.

A desocupação foi determinada em duas fases (uma em 45 dias e outra em 90 dias) e já está valendo. Carlos Antônio do Carmo, liderança da região; Agnaldo Alves da Silva, presidente da Câmara Municipal de Poxoréu; e Giomar Maciel dos Anjos, professor, estiveram na redação do jornal na tarde de ontem (18) e informaram que os moradores afetados, mais de 400 pessoas, entraram com o pedido de suspensão da liminar em instância superior.

Algumas reuniões e manifestações já foram realizadas pelos moradores, sendo que no próximo sábado (20) um novo manifesto deve ser realizado em Poxoréu, e outro no domingo (21) em Jarudore. Segundo os representantes dos moradores, aproximadamente 50 famílias de fazendas, sítios e chácaras já foram notificadas para deixar a área.

 

“Você vê o clamor de todos, porque a gente sabe que essa medida… O próximo passo será pedir a desocupação da Vila”, disse o vereador Agnaldo. Segundo os moradores, há 3 anos, aproximadamente, 700 hectares foram desocupadas e entregues aos índios, e que essa área é muito pouco utilizada por eles. Ainda conforme os mesmos, hoje há no máximo 20 indígenas vivendo na reserva.

Os moradores rechaçam o termo invasores e, assim como apresentaram na defesa no processo, dizem que o Governo de Mato Grosso criou o Distrito, e que quando Marechal Cândido Rondon passou pela localidade já existiam moradores não índios em Jarudore, sendo uma região centenária. “A última família indígena a residir em Jarudore, o ‘capitão’ Henrique e a Dona Joana, eles foram levados embora em 1983. Depois, nunca mais voltou índio lá”, afirma Carlos Antônio do Carmo.

Eles dizem que a cacique, que hoje lidera o grupo de indígenas que mora em Jarudore, chegou em 2006, ano em que começou também a ação do MPF. Caso a desocupação prossiga, as lideranças falam em caos social. “Têm pessoas lá que nasceram ali, não têm pra onde ir”, disse Carlos Antônio.

Outra questão levantada é o pequeno prazo para desocupação de áreas que são habitadas há vários anos. “Se dessem pelo menos mais um prazo, mas 45 [dias], o que eu vou fazer? A gente fica naquela angústia, será que vamos conseguir reverter? A gente confia, eu acredito que não é possível que não vai ter uma pessoa pra olhar nesse processo e falar: espera aí, acho que não é por aí que a gente deve proceder, vamos analisar”, disse o vereador Agnaldo.

“Não teve audiência nesse processo, com cinco mil páginas, o juiz tomar uma decisão dessa sem ouvir a outra parte?”, reforçou o professor Giomar. Os representantes também demonstram preocupação com os moradores de outras localidades, como Paraíso do Leste e Aparecida do Leste, que precisam passar por Jarudore para escoar sua produção. “É um problema seríssimo”, completa Agnaldo.

 

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