Henrique Lopes, diretor do Sintep: “essa postura tem sido infantil e tenta colocar a sociedade contra os servidores” – Foto: Divulgação/Sintep

 

Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público (Sintep) questiona informações divulgadas pelo Governo do Estado nos últimos dias, como a de que os professores do estado receberiam um dos maiores salários do país e outros dados estatísticos.

O primeiro ponto questionado pelo sindicato é com relação aos salários dos professores, que segundo divulgado recentemente pelo Governo, seria em média de R$ 5,8 mil e seria o terceiro melhor do país. Segundo o Sintep, o piso da categoria hoje é de R$ 2,8 mil e para que o salário do professor chegue aos R$ 5,8 mil propalados, o trabalhador teria que ter no mínimo 18 anos de serviço e ser especializado. O Sintep ainda afirma que o salário dos professores é o mais baixo entre as carreiras do Executivo em Mato Grosso.

Outro ponto questionado pelos servidores da Educação é o fato de que o Governo tem dito que está com dificuldades para pagar os 7,69% de aumento anual acima da inflação previstos pela lei estadual 510/2013, que prevê a dobra do poder de compra do salário dos professores até o ano de 2023. “Mas o Governo não fala dos R$ 3,4 bilhões de isenções e renúncias fiscais”, se referindo aos valores que o Estado deixa de arrecadar das grandes empresas, principalmente do setor do agronegócio.

O Estado de Calamidade Financeira decretado pelo governador Mauro Mendes (DEM), no início do ano, também é citado pelo Sintep, que questiona a situação e a veracidade da crise financeira, já que nem o Governo Federal, de quem o governador é aliado, reconheceu o fato.

 

A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), também usada por Mendes para justificar o não pagamento do aumento reivindicado pelos professores, é outro ponto questionado pelo Sintep. O governador tem dito que o estado está gastando acima dos 54% da arrecadação com a folha de pagamento, mas o sindicato afirma que isso se deve ao fato de não serem computados na arrecadação os valores referentes ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) descontados dos trabalhadores, o que deixaria esse percentual em cerca de 49% da arrecadação, portanto, abaixo do limite da LRF.

Para Henrique Lopes, diretor do Sintep, o governo usa politicamente os dados e tenta colocar a sociedade contra os professores, que estão em greve há 49 dias. “O governo precisa ser mais responsável. A greve se encerra com proposta e não com ataques. Essa postura tem sido infantil e tenta colocar a sociedade contra os servidores. Mas não está funcionando, porque apesar do Mauro ter colocado os professores em estado de miserabilidade ao cortar os pontos, a sociedade tem se solidarizado e ajudado muitos de nós”, declarou.

 

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