A pós-graduação stricto sensu no Brasil: conquistas e desafios em Rondonópolis (parte II)

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(*) Karine Porto

Há exatos 10 anos, Rondonópolis recebeu seu primeiro curso de mestrado. O funcionamento do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso, câmpus de Rondonópolis, o PPGEdu, foi autorizado em 2009, tendo sua primeira turma iniciado no ano seguinte. A cidade, assim como todo o estado de Mato Grosso, demandavam por essa formação, já que, à época, Mato Grosso tinha apenas um programa de pós-graduação na área educacional (na UFMT em Cuiabá), sendo insuficiente para qualificar os profissionais da educação do estado.

Inserido na área de concentração “Educação, cultura e processos formativos”, o PPGEdu qualifica profissionais graduados em Pedagogia, cursos de licenciaturas em geral, Psicologia, entre outros, e atua em três linhas de pesquisa: “Linguagens, cultura e construção do conhecimento: perspectivas histórica e contemporânea”, “Formação de professores e políticas públicas educacionais” e “Infância, juventude e cultura contemporânea: direitos, políticas e diversidade”.

O programa iniciou suas atividades com 8 professores e 10 alunos, e hoje conta com o total de 20 professores credenciados e 70 alunos ativos, advindos de Rondonópolis e diversos outros municípios do estado. Os mestres titulados pelo PPGEdu já ultrapassam os 150 e encontram-se, em sua maioria, atuando na docência das redes municipal e estadual de ensino, havendo também diversos egressos atuando em cargos de gestão nas secretarias municipal e estadual de educação, no magistério superior, dando continuidade à carreira acadêmica em cursos de doutorado etc. Tais profissionais retornam a suas práticas com um olhar atencioso para as questões educacionais, seus dilemas e desafios, e desejosos por buscar as transformações necessárias para uma sociedade mais justa e igualitária.

É incontestável a representatividade do programa para a comunidade educacional e as contribuições que vem trazendo à região. Para além dos mestres formados, são diversos os eventos promovidos pelos docentes e discentes todos os anos, voltados à formação continuada dos profissionais da educação. O mais representativo é o Congresso de Pesquisa em Educação (CONPEduc), promovido anualmente nas dependências do câmpus universitário de Rondonópolis. Em sua última edição, o número de participantes superou o de todas as anteriores, ultrapassando os 600 inscritos.

Os docentes credenciados no PPGEdu, para além de coordenar e orientar pesquisas que atendem a demandas educacionais locais, também realizam estudos em parceria com pesquisadores ao redor do Brasil e do mundo, promovendo intercâmbios de saberes que só têm a enriquecer sua prática acadêmico-científica e a formação discente.

Contudo, é preocupante o modo segundo o qual têm sido pensadas em nível governamental a educação, a universidade pública e a pós-graduação. É notável uma tendência à supervalorização das ciências com potencial de retorno econômico, em detrimento daquelas que se preocupam com questões humanas, sociais e de cidadania, que visam à construção do olhar atento e cuidadoso sobre o bem comum, as desigualdades e injustiças sociais, as relações de poder que permeiam os espaços sociais etc. O projeto educacional por detrás disto é uma tentativa dissimulada de calar o potencial denunciativo das ciências humanas e sociais.

A Educação é uma dessas áreas que sentem as investidas de emudecimento e resistem em um meio que não as favorece nem as valoriza. Atingir as metas estabelecidas a partir de critérios que não contemplam suas especificidades têm sido um desafio para o PPGEdu e os demais programas de pós-graduação da área, desafio este aceito e assumido com profissionalismo, ética e comprometimento pelos envolvidos.

Por outro lado, as perspectivas para o futuro do programa são esperançosas. Para além do compromisso com o mestrado, o PPGEdu está engajado na busca por trazer a Rondonópolis seu primeiro curso de doutorado e, para tal, tem investido na melhoria de seus índices junto à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), órgão governamental responsável pela avaliação da pós-graduação no Brasil. Essa conquista, uma vez alcançada, será fundamental para o desenvolvimento do município e para a consolidação da Universidade Federal de Rondonópolis, cuja efetiva implantação ainda é aguardada.

Por enquanto, a sociedade rondonopolitana e mato-grossense, os mestrandos e egressos do PPGEdu têm a agradecer à equipe do programa por seu esforço, dedicação, compromisso, pelos ensinamentos e pelo legado que estão construindo para a região. Nossa imensa gratidão pelo já feito e nossa expectativa pelo que está por vir.

(*) KARINE PORTO LOPES ONO, mestranda do Programa de Pós-graduação em Educação – UFMT, campus Rondonópolis (PPGEdu)

 

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