Jarudore: Deputado diz que presenciou cenas de desespero

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Foto: Divulgação

 

O deputado estadual Thiago Silva (MDB) diz que presenciou cenas de desespero de pessoas que moram na região do distrito de Jarudore, município de Poxoréu, há mais de meio século. O parlamentar visitou casas, comércios, propriedades rurais e levantou informações sobre o impacto da decisão judicial, assinada pela Justiça Federal, que determina desocupação de área pelos não índios, no prazo máximo de 90 dias.

Durante encontro no salão comunitário da localidade, Thiago afirma que presenciou o desespero de pessoas como dona Terezinha Martins. Nas terras onde reside desde a década 50, formou família, criou filhos e netos. “Isso que estão fazendo é muito injusto. Não podem obrigar esse tanto de gente deixar seu chão depois de 50, 60, 70 anos. Eles estão acabando com nossa história e com nossas vidas”, desabafou.

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Ercides Albino Prudêncio, assim como 95% dos 2.500 moradores de Jarudore, reside no distrito e vive da produção agropecuária de sua propriedade. Ele conta que está na região desde 1961. O agricultor familiar, de 68 anos, afirma que a posse do sítio foi adquirida com o aval do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e reconhecida em cartório.

As terras do produtor estão entre as primeiras que deverão ser desocupadas, caso a decisão não seja revogada. “Não entendo por quê estão fazendo isso com a gente, que trabalhou tanto pela prosperidade desse local. Aqui nunca foi casa dos índios. Era ponto de passagem e descanso deles quando subiam para Poxoréu. Eu não tenho para onde ir. Estou sem chão, sem rumo. Vamos lutar até o fim, o suor de uma vida inteira não pode acabar assim. Estamos esperançosos com a atenção do deputado Thiago Silva e agradecemos demais pela presença dele”, conta.

 

Reunião na salão comunitário de Jarudore para discutir a desapropriação de terras – Foto: Divulgação

 

O pastor João Carlos afirmou para o deputado que a convivência entre brancos e índios sempre foi pacífica na região. Para o líder religioso, o estado harmônico pode ser abalado, caso a sentença não seja revista. “É preciso falar que sempre existiu paz por aqui. Nunca ocorreram divergências com relevância. A culpa não é dos Bororos. A culpa é da Justiça que demorou demais para examinar essa situação, a culpa é do Estado que deu a terra para os brancos e para os índios. O erro não foi dos moradores ou dos índios. Erraram aqueles que fazem leis, que produzem decisões. Agora é preciso sentar e achar uma decisão sensata para os dois lados”.

Conforme o pedido do Ministério Público Federal, acatado pela justiça, a decisão não atinge a área urbana do município. A redação descreve como área de desocupação propriedades rurais. O que segundo o deputado Thiago Silva pode decretar um impasse pelo fim do distrito.

“É uma decisão que precisa de uma discussão mais ampla. Se tirarem as terras dessas famílias, elas não terão motivo para ficar em Jarudore. Todo o capital de giro da comunidade vem da produção das terras aos arredores da área urbana. É uma decisão extremamente delicada que mexe com a vida de milhares de pessoas, a maioria viveu boa parte do tempo em Jarudore. É preciso muita lucidez neste momento. Estamos trabalhando para evitar um caos social”.

O parlamentar disponibilizou assessoria jurídica para associação dos moradores. A Assembleia Legislativa também disponibilizará suporte necessário para entrar com um efeito suspensivo da decisão da Justiça Federal. “O momento é de união. Tenho certeza que esta causa é sensível para todos os deputados estaduais de Mato Grosso. A procuradoria da Assembleia Legislativa também vai trabalhar pela solução do problema. Vamos ainda disponibilizar todo o suporte para Prefeitura de Poxoréu e buscar um trabalho em conjunto com o governo do Estado e bancada federal de Mato Grosso. Jarudore não está sozinha nessa luta”, garante o parlamentar.

 

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