9º Simpósio Nutripura eleva a discussão sobre “O Papel da Pecuária no Sistema ILP” com especialistas mundiais

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Simpósio Nutripura, com palestras e dia de campo, se tornou um evento tradicional do agro e a cada ano se fortalece – Foto: Divulgação

 

Com o tema “O papel da pecuária no sistema ILP”, a 9ª edição do Simpósio Nutripura trouxe à região sul de Mato Grosso especialistas de renome nacional e mundial ligados ao agronegócio. O evento voltado para produtores rurais, formadores de opinião, pesquisadores e estudantes ocorreu entre os dias 27 e 29 de junho.

A extensa e diversificada programação iniciou-se com a 3ª edição do Encontro de Confinadores, que reuniu os clientes Nutripura e dois dos maiores nomes mundiais em nutrição animal: os professores Flávio Portela (Esalq-USP) e Galen Erickson (Universidade do Nebraska), para discutir modelos eficientes de produção de gado de corte. Para Portela este tipo de evento agrega valor para o confinador, pois o volume e a qualidade de informação gerada é muito grande. “A função principal da pesquisa é gerar informação para ser aplicada no campo, pois não faz sentido fazer pesquisa e esta informação morrer lá dentro, sem chegar em quem realmente importa. A ideia é transformar a pesquisa em resultados relevantes, com maior produção e maior eficiência do processo no campo”, disse.

Já a palestra do professor Galen Erickson, cercada de muita expectativa junto aos participantes, apresentou um panorama do modelo de confinamento americano e suas características. “Aqui os produtores têm oportunidades de trabalhar e conseguir alcançar de 40 a 150 dólares de lucro por animal por ano, algo que nós não temos mais nos Estados Unidos. Com a melhoria dos processos, é possível aumentar ainda mais a produtividade e lucratividade do negócio”, comentou.

Para o diretor de pesquisa da Nutripura e organizador do evento, Lainer Leite, o 3º Encontro dos Confinadores cumpriu o seu propósito, fornecendo informações de qualidade para um público grande e seleto. “Para este público de confinadores interessados e participativos, o nosso objetivo é difundir tecnologia e mostrar como usar ferramentas para melhorar a eficiência nos processos, alcançando altas produtividades e rentabilidade”, completou.

 

No segundo dia, o ciclo de palestras trouxe discussões técnicas sobre mercado, gestão, sucessão familiar e integração lavoura pecuária, que foi o tema do simpósio, além de palestras motivacionais com histórias de superação e empreendedorismo. Dentre os nomes presentes estavam: Alcides Torres – fundador da Scot Consultoria, Leandro Zancanaro – pesquisador da Fundação MT, Luciano Resende – diretor da Nutripura, Rodrigo Patussi – coordenador de projetos da Terra Desenvolvimento Agropecuário, e Shiro Nishimura – membro do conselho da Jacto. Somando a este corpo técnico, estiveram presentes também o empresário Geraldo Rufino e o jornalista e publicitário José Luiz Tejon, que contaram suas histórias de vida e inspiraram todo o público presente.

Para José Luiz Tejon o agronegócio nacional tem potencial para dobrar seu peso na balança comercial, com condições de se firmar cada vez mais como o grande pilar de desenvolvimento da nação: “O mundo nos incomoda a todo instante. Eu não aceito um PIB brasileiro de US$ 2 trilhões, não aceito o agro brasileiro com US$ 500 bilhões. Para mim o agro brasileiro tem que faturar US$ 1 trilhão, e tem condições para tal. Portanto, isso me incomoda. E se me incomoda eu vou provocar e vou reunir todo mundo que consiga olhar para esse ângulo. Se a gente crescer o agro brasileiro em mais US$ 500 bilhões, o PIB brasileiro cresce 4% ao ano e nós vamos salvar a população da recessão. Não existe outro setor no país que consiga fazer isso e a oportunidade é gigantesca”, concluiu.

As mais de 550 pessoas também ouviram a história de vida do empresário Geraldo Rufino. Durante a palestra “O catador de sonhos”, ele contou sua trajetória desde catador de lixo reciclável até a criação da primeira e maior empresa de reciclagem de peças de caminhões do Brasil e da América Latina. O caminho não foi linear e nem só de vitórias, já que ao longo de sua carreira Rufino “quebrou” seis vezes. “Empreender é ser produtivo e impactar a vida de alguém. Ser protagonista da própria história e não culpar alguém além de você mesmo pelo fracasso. 80% do Brasil funciona, e é preciso parar de olhar o resíduo e a crise. Não temos tempos sem crise, temos tempos diferentes. A oportunidade tá na cabeça de cada um. É só manter a fé, ter espiritualidade, relacionamentos, saber ouvir e não ficar reclamando”, afirmou Rufino.

Segundo dados apresentados pelo diretor técnico da Nutripura, Luciano Resende, até 2025 estima-se um crescimento de 50% na produção de carne bovina. Somente em Mato Grosso, entre 2010 e 2015 houve aumento de 5% no rebanho enquanto a área de pastagem reduziu 5%. “Com a previsão, a pecuária terá que se intensificar para atingir altos níveis de rentabilidade. Temos que começar a produzir mais por hectare para ter mais produtividade e manter os negócios”, avaliou.

O último dia do simpósio foi reservado para o dia de campo, em que os cerca de 570 participantes foram até a fazenda Palmares, em Itiquira-MT, para conhecer na prática o processo de implantação do Sistema Integração Lavoura-Pecuária (ILP). De acordo com o proprietário da fazenda, Marciano Migliavacca, o processo de implantação do sistema aconteceu há alguns anos com o apoio da equipe Nutripura. “Para nós produtores, o processo não é fácil. Mas traçamos um planejamento estratégico de cinco anos e definimos os passos e metas para cada fase. É algo que nos exige muito comprometimento e algumas decisões são difíceis, mas trabalhando juntos e de forma correta já conseguimos ver bons resultados”, destacou.

O professor da Esalq-USP, Moacyr Corsi, falou sobre os desafios, soluções, resultados e rentabilidade de pastagens intensivas. Segundo ele, é preciso que a intensificação seja realizada com o mesmo nível de pacote tecnológico utilizado na agricultura para que se tenha, efetivamente, uma integração. “Por outro lado, se intensifica as duas atividades ao mesmo nível, a pecuária mais intensificada produz retorno econômico semelhante ou até melhor ao da agricultura. A integração só tende a desenvolver e a aumentar, desde que as atividades e níveis tecnológicos nas duas atividades sejam comparáveis. Dessa maneira, exploraremos melhor o solo com maior produtividade, tanto na agricultura quanto na pecuária, e maior sustentabilidade para todo o sistema. É o melhor dos mundos”, ponderou.

Para o diretor da Nutripura, Roberto Aguiar, o Simpósio deste ano aumentou o nível de exigência para futuras edições devido à qualidade dos palestrantes e relevância dos assuntos tratados “É um evento tradicional do agro e a cada ano ele se fortalece. Tivemos casa cheia em todos os dias de programação, o que mostra o interesse do setor em adquirir conhecimento. Para a próxima edição, em 2021, pode-se esperar um evento ainda mais especial, porque será a 10ª edição do simpósio e a Nutripura estará completando 20 anos de atuação”, finalizou.

 

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