Reflexões sobre a BNCC: o olhar de uma professora

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(*) Adriana Clemente

Sendo mestranda em educação e participante do grupo de pesquisa InvestigAção, participo do projeto OBEDUC, que se dedica a estudar e discutir várias temáticas que direcionam os trabalhos dos professores da rede pública, especialmente os que participam do projeto. Dentre vários temas elencados pelos professores para estudo, trago algumas reflexões sobre a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), tema apontado pelo grupo de professores como sendo um assunto importante para ser discutido para maior compreensão.

A BNCC é um documento que regulamenta quais são as aprendizagens essenciais a serem trabalhadas nas escolas brasileiras públicas e particulares de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio para garantir o direito à aprendizagem e o desenvolvimento pleno de todos os estudantes. O objetivo deste documento é nortear os currículos dos estados e municípios de todo o Brasil, nesta perspectiva, a BNCC coloca em curso o que está previsto no artigo nove da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) sancionada em 1996.

De acordo com os professores participantes do OBEDUC, a BNCC é vista por boa parte deles como algo que provoca angústia e insegurança e também é um assunto não muito compreendido. Foram apontadas muitas dúvidas sobre este documento, sendo levantada uma questão: o que realmente muda para o professor nas suas práticas didático-pedagógicas.

Este texto tenta esclarecer ou pelo menos reduzir as maiores dúvidas sobre o tema. A BNCC é um documento que vem sendo construído desde 2015 tendo sua versão homologada em dezembro 2017 pelo Ministério da Educação.

A justificativa para a construção da BNCC são os resultados insatisfatórios nas aprendizagens dos alunos de acordo com os sistemas de avaliação, como Prova Brasil e PISA.

Para facilitar o entendimento, será apresentada a definição de currículo, no universo escolar com a intensão de reduzir o debate, assim, currículo “é tudo aquilo que uma sociedade considera necessário que os alunos aprendam ao longo de sua escolarização”. De acordo com a BNCC, o conhecimento é defendido, em um primeiro momento, como não devendo estar associado aos conteúdos disciplinares, marcadamente afeitos à educação do passado.

Segundo o portal do site Movimento pela Base, o documento é uma referência para a construção dos currículos e traz o que todos os alunos têm o direito de aprender.

O portal ainda esclarece que um currículo vai além do que diz a BNCC: Incluir metodologias e abordagens pedagógicas. E que a BNCC não determina como ensinar, que os currículos das redes e que os projetos políticos pedagógicos são os documentos que vão complementar a BNCC, portanto trarão reflexões quanto às práticas pedagógicas.

Porém, alguns estudiosos da temática afirmam que a BNCC é um documento que tem por detrás a intenção de engessar os conteúdos e o fazer pedagógico do professor.

A BNCC não aponta apenas para mudanças nos conteúdos, mas também indica que será necessário um “novo” professor. O documento propõe uma transformação na atuação do educador, indicando que este será o mediador, o tutor, que mostra caminhos, orienta e auxilia, mas deixa o aluno trilhar o seu caminho na construção do conhecimento. Ao que parece os docentes não se sentem confortáveis para realizarem seu trabalho, a partir desta perspectiva. São essas e outras angústias que foram discutidas por esse grupo de professores, preocupados com os que serão percorridos para a reorganização da Diretriz Curricular, tanto da rede municipal, quanto estadual.

(*) Adriana dos Reis Clemente, mestranda do Programa de Pós-graduação em Educação – UFMT, campus Rondonópolis (PPGEdu)

 

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