Recebereis o Espírito Santo

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(*) Dom Juventino

A Igreja celebra neste domingo (09.06) o dia de Pentecostes, dia em que o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos, os congregou numa mesma fé e numa família. Conforme Atos dos Apóstolos “Veio do céu um barulho como se fosse um vento que encheu a casa onde eles se encontravam. Então apareceram umas línguas como de fogo que se repartiam e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo” (At 2,2-5).

O Espírito Santo é a força de Deus que ilumina, irradia, impulsiona a Igreja para a fidelidade ao Evangelho e o respeito pela pessoa humana. É pela ação do Espírito Santo que somos cristãos para testemunhar a fé, nos inserir na comunidade e nos impulsionar para a missão. É pela presença do Espírito Santo que somos chamados e enviados para a missão de anunciar a todos os povos a salvação que vem de Deus. No Credo reza-se: “Creio no Espirito Santo”. Assim anuncia-se o centro da fé: Crer em Deus Trindade: Pai, Filho e Espirito Santo. Mistério da fé. Acolhido pela gratuidade do coração à escuta de Deus.

No Evangelho (Jo 20,19-23) Jesus ensina: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”. Pela força do Espirito Santo Jesus envia em missão seus discípulos e este envio chega até nós. E uma das características da missão evangelizadora é perdoar os pecados, levar a misericórdia, lavar as mazelas da humanidade, curar os corações feridos pelo vício, pelo pecado, pela injustiça, ódio, guerra, fome, destruição.

A humanidade passa por um tempo de crise de valores, de fidelidade, de ética. O papa Francisco fala em “globalização do relativismo”. Pelo anúncio do Evangelho a vida vai renascendo. Por isso, “para levar à plenitude os mistérios pascais, derramastes o Espírito Santo prometido, em favor de vossos filhos e filhas. Desde o nascimento da Igreja, é ele quem dá a todos os povos o conhecimento do verdadeiro Deus; e une, numa só fé, a diversidade das raças e línguas”.

Papa emérito Bento XVI ensina: “Pentecostes tem início um processo de reunificação entre as partes da família humana, divididas e dispersas; as pessoas, muitas vezes, reduzidas a indivíduos em competição ou em conflito entre si, alcançadas pelo Espírito de Cristo, abrem-se à experiência da comunhão, que pode empenhá-las a ponto de fazer delas um novo organismo, um novo sujeito: a Igreja. Este é o efeito da obra de Deus: a unidade; por isso, a unidade é o sinal de reconhecimento, o ‘cartão de visita’ da Igreja no curso da sua história universal. Desde o início, do dia do Pentecostes, ela fala todas as línguas. A Igreja universal precede as Igrejas particulares, as quais devem se conformar sempre com ela, segundo um critério de unidade e universalidade. A Igreja nunca permanece prisioneira de confins políticos, raciais ou culturais; não se pode confundir com os Estados, nem sequer com as Federações de Estados, porque a sua unidade é de outro tipo e aspira a atravessar todas as fronteiras humanas” (Bento XVI, Homilia na Solenidade de Pentecostes, 23 de maio 2010).

São Paulo ao refletir sobre a presença do Espírito Santo na comunidade de Corinto ensina (1Cor 12,4-5) “Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um é o mesmo Senhor”. A unidade de vida, a harmonia no lar, a convivência harmoniosa na sociedade, a paz entre povos, culturas, religiões e raças é expressão da presença do Espírito Santo.

Profeta Isaias (61) ensina: “Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, espírito de SABEDORIA (perceber o que favorece e o que prejudica a vida do cristão) e de ENTENDIMENTO (capacidade de entender o Evangelho, os ensinamentos da Igreja), espírito de CONSELHO (dom de saber escutar, orientar, dar uma boa palavra) e de FORTALEZA (dom que nos dá força para ser firmes na ética, na justiça e nos desafios da fé), espírito de CIÊNCIA (dom de aprofundarmos o conhecimento da fé e acolher os e ensinamentos de Deus), de PIEDADE (dom de agir como Jesus agiu diante dos pobres, dos sofredores) e de TEMOR DE DEUS (dom de transformar o temor em amor e quem ama está perto de Deus e dos irmãos). “Dai-nos é Deus, os dons do Espirito Santo para sermos vencedores nas provações, fortes na dor, perseverantes na caridade e sensíveis às pessoas que sofrem”. Estes dons são graças de Deus. Somente com nosso esforço, não podemos fazer com que cresçam e se desenvolvam. Necessitam da ação direta do Espírito Santo para podermos atuar conforme os ensinamentos do Evangelho.

Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso Amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra. Oremos: Ó Deus que instruíste os corações dos vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos da sua consolação.

(*) Dom Juventino Kestering é bispo da diocese de Rondonópolis-Guiratinga

 

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