Serviços de quimioterapia e cirurgias oncológicas continuam suspensos na Santa Casa – Arquivo

 

Rosemília Monteiro: “eles só me dizem que eu tenho que esperar, mas eu não posso ficar esperando” – Arquivo/família

Com os serviços de quimioterapia e cirurgias oncológicas suspensas temporariamente para a troca da empresa encarregada pelos serviços na Santa Casa de Rondonópolis, pacientes que dependem do procedimento reclamam da falta dos mesmos, o que coloca suas vidas em risco. O serviço foi suspenso, inicialmente por uma semana, no último dia 18 de maio, mas até o momento não há informações a respeito da retomada. Ouvidas pela reportagem do A TRIBUNA, duas mulheres que dependem do tratamento oncológico relatam o drama que estão vivendo.

Uma das prejudicadas com a situação é a camareira F.A.S., de 34 anos, que tem um tumor cancerígeno reincidente na região pélvica, que exige o tratamento quimioterápico para controlar a doença e em seguida realizar a cirurgia de retirada do segundo tumor.

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“Eu já retirei um tumor, fiz quimioterapia e estava tudo certo. Só que o tumor voltou novamente e eu voltei para a oncologia antes da Nutec sair (da Santa Casa). O Dr. Neto (José Spila Neto, proprietário da Nutec, empresa que prestava serviços oncológicos para a Santa Casa) me voltou para a quimioterapia, cheguei a me pesar e tudo, achei que iam me chamar com uma semana e até hoje nada. Eu fui atrás e me informaram que era por conta da troca da empresa, mas disseram que tudo ia voltar ao normal em uma semana. Pelo que sei, o único médico que está atendendo nem da área oncológica é. E estamos sabendo que está havendo óbitos lá”, contou.

Afastada em definitivo do trabalho há três anos para tratar da sua doença, ela diz que teria ouvido falar por terceiros que os serviços suspensos seriam restabelecidos a partir desta terça-feira (4), mas não conseguimos confirmar a informação junto ao hospital. “Eu preciso da quimioterapia, porque o tumor que voltou é agressivo. Tenho que fazer a quimioterapia para depois poder fazer a minha cirurgia de retirada do tumor. Para se ter uma ideia da gravidade do meu caso, eu vou ter que retirar alguns dos meus órgãos internos. Eu preciso fazer a cirurgia, mas para isso preciso passar pela quimioterapia primeiro, para controlar o câncer antes que ele atinja outros órgãos. Se eu não conseguir fazer isso, nem cirurgia resolve mais. Eu mesmo não me apavoro, mas tem muito paciente, gente idosa inclusive, aguardando por isso. O que me parece é que eles não estão nem aí se a gente vai morrer ou viver”, desabafou.

 

MAIS UM CASO

Outra que vive a angústia de ter que aguardar indefinidamente pela quimioterapia que pode salvar sua vida é a operadora de máquinas têxteis Rosemília Monteiro do Nascimento, de 44 anos, que teve câncer de mama e já teve que retirar os dois seios, e agora aguarda uma quimioterapia à base de comprimidos.

“Como lá [Santa Casa] está tudo parado, ninguém me diz nada. Tratam a gente mal, está difícil. Eu preciso dessa medicação por mais seis meses, mas eles não querem liberar. Depois disso, ainda tenho que ir para Cuiabá iniciar a radioterapia, que não tem aqui em Rondonópolis. Eles só me dizem que eu tenho que esperar, mas eu não posso ficar esperando. Eu já não tenho nenhuma das minhas mamas e não há sequer previsão de quando vou poder fazer a cirurgia de reconstituição. A situação está feia”, declarou.

 

ENTENDA MELHOR

A direção da Santa Casa anunciou, no último dia 8 de maio, a substituição da Nutec, empresa que prestava serviços oncológicos há 16 anos para o hospital, sob o argumento de que isso geraria uma economia mensal superior a R$ 100 mil. No lugar da Nutec, foi anunciada a empresa Oncohealth Brasil, sediada no estado do Rio de Janeiro.

Na ocasião, a direção da unidade hospitalar anunciou que os serviços de quimioterapia e cirurgias oncológicas seriam suspensas pelo prazo de uma semana para que a nova empresa instalasse os seus equipamentos e digitalizasse os milhares de prontuários herdados da Nutec, mas o prazo venceu e até o momento do fechamento dessa reportagem, a Santa Casa não tinha se pronunciado a respeito da retomada dos serviços.

 

 

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