Parque Encontro das Águas Lamartine da Nóbrega!

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(*) Jerry Mill

Na quarta-feira, dia 8, devidamente trajado com uma camiseta branca que traz uma foto do Sir estampada na frente, eu estive na região de confluência do Córrego Arareau com o Rio Vermelho, próxima ao Cais, para acompanhar a amplamente divulgada cerimônia de lançamento das obras do Parque Encontro das Águas Lamartine da Nóbrega, pois tudo o que se refere a ele continua a ser de grande interesse e importância para mim, que lancei em 2018 a sua biografia autorizada.

O evento estava marcado para ter início às 8h30 e contou com a presença de diversas autoridades, convidados, Imprensa e curiosos. Antes disso, porém, ao adentrar a área indicada no convite, logo me deparei com duas placas de identificação da obra, que traziam informações importantíssimas, tais como os nomes dos responsáveis pela sua execução (Bernardino da Silva Nantes e Carolina Nantes Nazário), o autor do projeto (Bruno Laranjeira), o valor a ser investido (exatos R$3.987.116,41 – ou seja, quase quatro milhões de reais!), o prazo para a conclusão do empreendimento (365 dias, para não dizer um ano), a data do início das atividades (aquele mesmo dia, ou seja, 8 de maio de 2019 – talvez não por acaso o justo dia do 91° aniversário de nascimento de Lamartine da Nóbrega, olha só!), o nome da empresa contratada para realizar o serviço (Unep Engenharia e Planejamento Ltda., de Campo Grande – MS), a origem do recurso (da própria Prefeitura, através do Fundo Municipal do Meio Ambiente) e o endereço exato do local (Avenida Getúlio Vargas, chácaras 3, 4 e 5, bairro Vila Aurora I), além de evidenciar tratar-se de uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Rondonópolis, através de duas de suas secretarias: de Habitação e Urbanismo juntamente com a do Meio Ambiente. Entretanto, algumas informações bastante relevantes não estavam nas referidas placas: tratar-se de uma parceria com o Ministério Público do Estado (MPE) e com o Juizado Volante Ambiental (Juvam), além do nome de Lamartine da Nóbrega, que não merecia tamanho insulto!

Eu digo isso porque, para quem não se lembra, a edição 10.026 deste A Tribuna, de 19 de setembro de 2018 (referendada pela edição 10.045, de 11 de outubro de 2018, bem como pelo site estelaboranga.com.br, em matéria postada no dia 9 de outubro de 2018), dava conta de que havia sido feita a indicação e tinha sido aceita a proposta de batizar o parque com o nome de Lamartine da Nóbrega, dada a sua importância como pioneiro do esporte amador e profissional local (dentre outros feitos, é sempre bom lembrar). Assim, uma vez no local e data, eu não perdi tempo e conversei com alguns dos vereadores ali presentes e com o próprio prefeito sobre essa falha da sua equipe ao omitir principalmente o nome do homenageado. Para a minha surpresa, fiquei sabendo do imbróglio que o prefeito Zé Carlos do Pátio arrumou para si mesmo ao prometer nomear a mesma obra a dois vereadores do seu próprio partido, o SD (Solidariedade): o radialista Orestes Miraglia de Carvalho e João Batista Soares (o popular Batista da Coder), o presidente da sigla. Outra versão dava conta de que a questão saía da alçada política, dando a entender que havia o interesse de um ou outro membro do Judiciário nessa questão.

Desta forma, de acordo com informações colhidas no local do lançamento da obra, o prefeito, para não agradar um e desagradar outro, resolveu se manter neutro nessa disputa e deixar que os vereadores cheguem a um conclusão na Câmara Municipal. Em outras palavras, ele se absteve do seu poder de decisão e, como se diz na alta roda francesa, tirou o dele da reta. Na minha concepção, ele decepcionou a um número considerável de pessoas, dentre as quais está a família da Nóbrega (que esteve presente no local na data e no horário marcados) e especialmente a mim, que disse a ele pessoalmente que esperava algo mais sensato e assertivo da parte dele. Qual foi a reação dele? – você há de perguntar. A mesma de sempre: disse que, em se tratando de política, tudo se resolveria a contento, pois é preciso ter tato e paciência, deixando no ar apenas a possibilidade de que iria cumprir o que ele mesmo, meses antes, havia prometido fazer para prestar a devida homenagem a Lamartine da Nóbrega, pioneiro que não merece ter o seu nome estampado apenas em uma parte do Parque, convenhamos. Seria uma ofensa, na minha opinião. Ou uma provocação, sei lá.

De qualquer forma, pelo que eu ouvi dos vereadores, inclusive do líder do prefeito na Câmara (Juary Miranda) e do atual presidente da Câmara Municipal (Cláudio da Farmácia), a maioria dos edis vai apoiar a proposta do vereador Orestes Miraglia de Carvalho (a que dá o nome de Lamartine da Nóbrega a todo o Parque Encontro das Águas) não só porque ele levou a proposta muito antes ao prefeito, mas principalmente diante do enorme legado deixado por Lamartine da Nóbrega, se comparado à herança histórico-cultural atribuída ao pai do vereador Batista da Coder, um certo João Nunes Soares, natural de Governador Valadares (MG), um garimpeiro que trabalhou na região na década de 1960 e “ajudou a construir a história da cidade”.

Mas, como político tem a mania de mudar de lado (feito macaco, de galho em galho), de acordo com as bananas/pressões recebidas e os seus próprios interesses, eu torço para que o bom senso ilumine aqueles corações e mentes, para que os edis da atual legislatura tomem a decisão mais acertada, ou seja, aprovar (se não por unanimidade, mas com louvor) um só nome para todo o Parque Encontro das Águas (caso ele realmente saia do papel e deixe de ser apenas mais uma promessa popularesca): o primeiro e único Lamartine da Nóbrega!

P.S.: O nome Lamartine da Nóbrega é inclusive dado ao Parque das Águas no próprio site da Prefeitura em matérias postadas nos dias 24 de janeiro de 2019 e 14 de fevereiro de 2019, como você pode conferir nos links a seguir: http://www.rondonopolis.mt. e http://www.rondonopolis.mt., além de aparecer também em matérias veiculadas pelos sites giromt.com.br, agoramt.com.br, conlicitacao.com.br e portalmt.com.br, dentre outros. Bem, talvez o prefeito não tenha lido nenhum deles…

(*) Jerry Mill é mestre em Estudos de Linguagem (UFMT), presidente da Associação Livre de Cultura Anglo-Americana (ALCAA), membro-fundador da ARL (Academia Rondonopolitana de Letras), associado honorário do Rotary Club de Rondonópolis e autor da biografia Lamartine da Nóbrega – Uma História Como Nenhuma Outra

 

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