(*) Rinaldo Cardoso Meira

Por ocasião da passagem do dia 1º de Maio, comemorado no Brasil e em quase todos os países do mundo, a Diocese de Rondonópolis-Guiratinga, sediada no chão fecundo e desafiador do Estado de Mato Grosso, se une à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, endossando a solidariedade, gratidão e profunda estima aos Trabalhadores e Trabalhadoras.

O olhar da Igreja sobre o trabalho ressalta a dignidade que este pode trazer à pessoa humana, como São João Paulo II o contextualizou no Capítulo II da Carta Encíclica Laborem Exercens, nestes termos: “constitui uma dimensão fundamental da existência do ser humano sobre a terra”. Deixa claro que o trabalho humano deve ser visto e entendido como satisfação para além da materialidade. Em outras palavras, ao submeter a Terra, entendida aqui como o mundo visível, à suas atividades, estas não devem estar desconectadas da relação do humano com o Divino. Daqui se extrai o zelo que todo homem e mulher devem dispensar nas suas atividades com o todo do universo, sobre tudo, nas relações com o seu próximo, que é a própria imagem e semelhança de Deus.

A data escolhida para rendição de homenagens aos trabalhadores e trabalhadoras é muito significativa e simbólica, pois, reporta à luta incessante por melhores condições de trabalho, como a greve iniciada em 1º de maio de 1886, na cidade de Chicago (Estados Unidos da América), focada à época, principalmente na redução da jornada de trabalho diária, que chegava a 17 horas, para oito horas .

No nosso calendário litúrgico, neste dia se celebra a memória de São José Operário , o santo padroeiro dos trabalhadores e trabalhadoras.

A dialética entre trabalhadores e empresários, bem como as ações do poder público constituído, aos olhos da fé, e não só do capital, deve delinear a seguridade do direito ao trabalho ao mesmo tempo em que se proteja a dignidade dos trabalhadores e trabalhadoras, perpassando pela garantia do sustento destes e de seus familiares, bem como, o combate ao trabalho escravo e/ou degradante, a precarização das relações de trabalho, os retrocessos de direitos trabalhistas trazidos lei 13.467 de 2017, a falta de políticas públicas eficazes para a manutenção dos camponeses nas suas terras, a opressão aos povos originários, etc.

Convém trazer a baila que nossa Doutrina Social da Igreja tem como princípio orientador a primazia do trabalho e do bem comum sobre o lucro e o capital.

Remete a difusão de uma cultura em que as relações sociais, em primeiro plano, devem ser pautadas na construção e manutenção da dignidade e dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras. Ou seja, diante do que se vê nos dias atuais, urge romper com a utilidade econômica a todo custo, como fator primário das nossas relações sociais.

No campo legislativo nacional, emerge a necessidade da participação dos trabalhadores e dos sindicatos, na discussão da “Nova Previdência Social”, que poderá causar sérios impactos à dignidade dos trabalhadores, sobretudo daqueles que mais necessitam da proteção do Estado, como pode ser observado na nota da CNBB: “Reconhecer a necessidade de avaliar o sistema não permite desistir da lógica da solidariedade e da proteção social através da capitalização, como propõe a PEC

06/2019. Também não é ético desconstitucionalizar regras da Previdência, inseridas na Constituição de 1988”.

Oportuno destacar também aqui a necessidade de incentivarmos os jovens do Brasil a entrarem no mercado de trabalho, com políticas públicas inclusivas, para que as barreiras da exclusão social se tornem cada vez mais diminutas a essa importante e querida categoria.

Neste ensejo conclamamos a todos, sem exclusão de ninguém, a colaborarem de forma ativa na luta infinda de construir uma sociedade cada vez mais democrática, inclusive no campo econômico, ao tempo em que nas nossas relações sociais se prevaleça o bem comum como primado.

Que a Santíssima Trindade, a melhor Comunidade, continue nos abençoando e suscitando em nós o desejo continuado do avivamento da Fé, da Esperança e da Caridade.

Amém! Axé! Awire! Aleluia!

(*) Rinaldo Cardoso Meira é articulador do Regional Oeste 2 das CEBs

 

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