As pegadas da deusa

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(*) George Ribeiro

Nos ventos que se abrem
Dando-me toda a passagem
Para o meu mundinho irreal,
Todos sabem o que me permeia…
Assim, entre o triste e o fenomenal,
Os olhos fecham meia-noite e meia
Para glorificar a sua imagem.

Nua! Como é bela e serena,
Tão grande, mesmo pequena.
Tem uma formosura estranha
Que hipnotiza quem se enamora;
Assusta quem se apanha
No inexplicável mundo afora
Em que sua magia se encena.

“Tocou-me de modo erógeno,
Esteve sensível ao meu aceno.
Surpreso sinto sua mão no meu…
Rijo fico com os choques celestiais
E, nessa magia que me tremeu,
Eclodiram-se anseios sensoriais,
Derramando nuvens deste obsceno.”

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A sua mão oferece o carinho,
Traz força a quem é sozinho
E seu peito é o maior abrigo
Para este tão longe de casa;
Este que não tem amigo:
Anjo infeliz que perdeu a asa
E perdeu-se no escuro do caminho.

Ah, mas restaram as pegadas,
Esperanças nas encruzilhadas.
Oh, deusa do meu amor!
Sensibilizou-se e entendeu,
Quando ouvir o meu clamor,
Que o meu curso dependeu
De suas marcas em mim deixadas…

(Ah, pegadas!)

(*) George Ribeiro é poeta, rondonopolitano e membro da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 9

 

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