Relevância: Pesquisadora destaca debate sobre gravidez na adolescência

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Professora da Unemat Angélica Pereira Borges: adultos também precisam participar dessas discussões – Foto: Divulgação

É cada vez mais importante o envolvimento da sociedade como um todo no sentido de promover o debate e lidar com um problema social, que é a gestação precoce. A partir deste ano, por meio da Lei n. 13.798, de 3 de janeiro de 2019, fica instituída a data de 1º de fevereiro para o início da “Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência”. A professora da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) Angélica Pereira Borges, que trabalhou em seu mestrado e agora doutorado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) sobre o assunto, alerta para a relevância dos adultos participarem desse contexto, e não apenas os adolescentes.

A Organização Mundial da Saúde, em 2018, juntamente com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Organização Pan-americana de Saúde, lançaram um relatório com algumas estratégias para auxiliar na campanha de prevenção da gravidez na adolescência, entre elas a questão da articulação de diversos setores da sociedade em programas onde se trabalhe e dialogue sobre o assunto. “A informação não pode existir de forma unilateral. Todos devem falar sobre gravidez na adolescência e não somente o adolescente. Também o adulto, mesmo que não seja pai ou mãe, precisa falar sobre o assunto para que as informações sejam multiplicadas”, disse Angélica.

Outro ponto fundamental em diversos cenários onde o jovem está inserido, segundo a professora, é a educação sexual e reprodutiva, seja na escola, entre os seus colegas ou no ambiente familiar. Esta é uma educação voltada para que o jovem conheça o seu corpo, como ele funciona, quais os seus limites e suas necessidades. “É fazer com que a pessoa pense sobre suas necessidades e o que ela quer para seu futuro enquanto parte sexual e reprodutiva”, complementou a pesquisadora.

Em sua tese de mestrado, a professora trabalhou com 123 adolescentes grávidas de diversos bairros de Cuiabá, de 11 a 17 anos, em situação de vulnerabilidade social, de famílias desestruturadas social e economicamente e com limitação nos estudos. Em outras pesquisas são muitos os relatos de meninas que não concluem seus estudos e acabam na dependência, ou da família ou de seus parceiros, perpetuando o ciclo de violência familiar e que pode interferir na qualidade de vida, tanto da mãe quanto do bebê.

Perfil – Entre essas meninas, diversas já estavam na segunda e terceira gestações. Para se falar em prevenção como forma de evitar a gravidez precoce, a estudiosa disse que é necessário, antes, conhecer as suas principais causas.

“Diversos estudos apontam que o desconhecimento dos adolescentes em relação aos métodos contraceptivos é uma causa, a dificuldade da menina em negociar com seu parceiro sobre o uso de preservativo, questões relacionadas à violência, coerção e submissão também são causas da gravidez na adolescência. O ambiente familiar também tem relação direta com o início da atividade sexual, além das causas relacionadas a nível socioeconômico, escolaridade, questão social”, observou.

Com base nessas causas, Angélica diz que se pode pensar em estratégias como o aumento do uso de métodos contraceptivos, traçar ações para reduzir atividade sexual sob coerção, mobilizar setores da sociedade para que trabalhem juntos e articulados na prevenção, fomentar a participação do adolescente em iniciativas de prevenção tanto no desenvolvimento quanto na implementação de programas ou políticas públicas sobre o assunto, além da temática sobre educação sexual e reprodutiva.

Mais do que todos esses pontos citados, a professora reitera a importância de se trabalhar os pais para conversar com o filho adolescente. Ao mesmo tempo, ela ressalta que esta é uma relação que deve ser bilateral. “O filho precisa encontrar no seu pai e sua mãe um ponto de apoio para falar sobre isso, assim como os pais precisam entender que seus filhos têm as necessidades de falar sobre a questão da sexualidade, especialmente na fase da adolescência, em que ocorrem muitas mudanças psicossociais e a questão biológica que é mais forte e presente. Esse movimento tem que haver dos dois lados. A gente também percebe que para os pais isso é um tabu, que é difícil falar com seus filhos sobre sexualidade, mas o diálogo é sempre a melhor opção, dos dois lados”, discorreu.

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