Orquestra Viola Divina completa dez anos de estrada

A orquestra foi fundada no ano de 2008, pelo músico e maestro Pedro Barbosa da Silva, contador de formação

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Alguns integrantes da orquestra durante visita ao A TRIBUNA – foto: Denilson Paredes
Rosângela Leite: “conheci o Pedro no coral da prefeitura e ele tocava com a gente com a viola” – foto: Denilson Paredes

A já tradicional Orquestra Viola Divina, grupo de violeiros da cidade que utiliza sua arte para difundir e preservar a legítima música caipira, está completando dez anos de existência e sucesso. Para comemorar a data com fãs e amigos, a Orquestra está organizando um grande churrasco no próximo dia 10, aniversário de Rondonópolis, quando estará recebendo duplas sertanejas e outros convidados, que prometem emocionar o público presente com os maiores clássicos da música caipira.

A orquestra foi fundada no ano de 2008, pelo músico e maestro Pedro Barbosa da Silva, contador de formação e apaixonado pela viola desde os seus primeiros anos de vida.
“Eu sempre gostei de moda de viola desde pequeno, com uns oito anos de idade eu já tocava violão. Mas foi a partir do ano 2000, quando conheci a viola, que tudo realmente começou. Eu ganhei uma viola quebrada com a missão de arrumá-la e depois repassá-la para outra pessoa, e assim eu fiz. A partir daí, essa viola já passou pelas mãos de uma infinidade de pessoas. Aí, eu comprei minha própria viola, estudei e junto com a galera acabei por formar a Orquestra Viola Divina. Essa paixão pela música de raiz e pela viola vem do meu pai, que era músico, cantava nos programas sertanejos das rádios da cidade e desde pequeno eu toda vida fui deslumbrado por isso”, contou.

Antes da Orquestra, Pedro Barbosa chegou a formar uma dupla caipira com o cantor Pavão, com quem tocou em bares e outros lugares da cidade por quatro anos, chegando inclusive a gravar um CD antes de acabar com a dupla.

“Logo depois, eu formei um grupo chamado Amigos da Viola, que tinha cinco membros. Foi nesse grupo que surgiu a ideia de darmos aula de graça para formarmos outros violeiros e fomos dar essas aulas no Centro Cultural José Sobrinho. Isso foi em 2006. Foi dali que formamos a Orquestra Viola Divina, já em 2008 e agora já estamos com dez anos de estrada, mostrando nossa arte e ajudando a preservar a verdadeira música sertaneja de raiz”, externou o músico.

Anteriormente, a orquestra chegou a ter 27 membros, mas atualmente tem apenas 11, já que grande parte de seus antigos componentes seguiu por outros caminhos. “Muitos tiveram problemas de saúde, outros foram estudar fora, mas hoje contamos com o apoio de uma orquestra juvenil da escola da Gleba Carimã, que sempre que pode, se apresenta conosco. Nesses dez anos, nós viajamos bastante e o momento mais marcante para mim, que inclusive me proporcionou uma entrevista no programa Fantástico (da Globo), foi a nossa participação no evento Mil Violas, que aconteceu em Uberlândia, em 2015. Nós integramos uma orquestra de 520 violeiros no Ginásio Sabiazinho. A ideia era entrar para o Guiness Book, mas como houve alguns problemas, nós só conseguimos isso de fato em 2017. Hoje, nós fazemos parte do Guiness por termos reunido 661 violeiros, que é o recorde mundial de maior orquestra caipira do mundo”, continuou.

Desde a sua formação, a Orquestra se apresentou nos mais variados tipos de eventos, desde as festas agropecuárias, eventos escolares, como Dia dos Pais e outros, além das missas sertanejas, que até hoje são bastante requisitadas por padres católicos de várias paróquias e cidades.

Por conta do sucesso obtido, em 2013, a Orquestra Viola Divina chegou a gravar um CD e até hoje tem uma agenda de shows bem recheada, mas a maioria das suas apresentações é gratuita, já que o intuito principal dos membros da mesma é preservar a cultura e a música sertaneja de raiz.

A inspiração musical vem de artistas como a dupla Tonico e Tinoco e todo o trabalho da Orquestra é visto pelos membros do grupo como uma forma de contribuir com a preservação dessa cultura do homem do campo.

“Hoje em dia, o que que se vê na televisão? Aquilo que dá dinheiro para alguém. A nossa cultura, se nós que somos da base dela não fizermos de tudo para mantê-la viva, ela vai desaparecer. Esse é o aspecto principal que levou à nossa formação e é por isso que a Orquestra Viola Divina existe até hoje”, sintetizou Pedro Barbosa.

Nesse período de existência, a Viola Divina se apresentou ao lado de grandes nomes da música sertaneja de raiz, como Cacique e Pajé, as Irmãs Galvão, César Menotti e Fabiano e vários outros.

A professora Rosângela Bernardo Leite, atual diretora da escola rural da Gleba Carimã, é uma das mais antigas na Orquestra, tendo entrado na mesma logo na sua primeira formação e é outra que se diz apaixonada pelo som da viola. “Eu sou de Vera Cruz (SP), que fica próximo de Marília, e meu pai era muito amigo de algumas duplas sertanejas e eu cansei de ver em casa duplas como Liu e Léo, César e Paulinho, que sempre iam lá em casa antes de irem se apresentar nos circos, pois nessa época esse pessoal cantava nos circos. Eu ouvia eles cantarem e tocarem e achava lindo. Ganhei um violão quando completei 17 anos, mas não tinha ninguém para me ensinar a tocar. Quando casei, sentaram em cima do violão e quebraram ele. Fiquei muito triste e assim que vim para Rondonópolis, juntei um dinheiro para comprar outro violão. Comecei a aprender a tocar violão, mas parecia que não era aquele som o que eu queria. Foi então que conheci o Pedro no coral da prefeitura e ele tocava com a gente com a viola. Assim que ele começou com as oficinas, eu me matriculei e quando formou a orquestra, eu fui junto”, disse.

O músico Eduardo Silvestre, de 19 anos, é o mais novo da Orquestra, tendo se incorporado há cerca de dois anos à mesma. “Eu já fazia aulas de viola, mas não conhecia ninguém para conversar sobre isso e tocar. Então, fiquei sabendo da Viola Divina e procurei fazer contato com o Pedro, perguntei se podia fazer parte dela e comecei todo o processo, ensaiar, tocar, viajar e estou aí até hoje. Eu convivo muito bem com todos, como se fossem meu pai, minha mãe. É tranquilo. Eu gosto muito desse estilo de música, que precisa ser preservada. Meus amigos entendem isso e não passo por nenhuma discriminação por isso, apesar do estilo ser bem diferente do que a maioria dos jovens de hoje gosta. Alguns me acham um tanto antiquado, mas não é nada que me perturbe e pretendo continuar, pois é algo que gosto”, afirmou.

O grupo esteve na redação do A TRIBUNA acompanhado do funcionário público aposentado Otacílio Miranda da Silva e da Edna Castro, professora do Centro de Reabilitação Louis Braille, ambos membros da Orquestra Viola Divina.

Para comemorar os dez anos de sua formação, a Orquestra Viola divina está organizando um grandioso churrasco para 500 convidados na Feira Livre do Conjunto São José, no dia 10, aniversário de Rondonópolis, a partir das 11 horas. No local, acontecerá uma oficina de catira para os membros da Orquestra Juvenil da Carimã, que mais tarde se apresentarão para os presentes, além de apresentações de seis duplas convidadas e, como não poderia deixar de ser, também haverá uma apresentação da Orquestra Viola Divina.

Escola da Gleba Carimã tem orquestra formada por alunos

Os estudantes da Escola Rural da Gleba Carimã também têm a sua orquestra de viola. O grupo foi montado em 2016, depois da escola ter aprovado um projeto no programa Mais Cultura, do Governo Federal, que lhe possibilitou ter recursos financeiros para comprar instrumentos e contratar um instrutor para ensinar os alunos da escola a tocarem o instrumento.

Composta por 25 membros, todos adolescentes entre 14 e 17 anos, a Orquestra Infanto Juvenil da Gleba Carimã já tem várias apresentações no currículo, tocando sempre as músicas clássicas do cancioneiro popular, no mesmo estilo da Orquestra Viola Divina e com o mesmo objetivo de preservar essa música de raiz.

Alguns membros da mesma, inclusive, já ensaiam e se apresentam com os mais velhos, garantindo que a cultura da moda de viola se perpetue por mais uma geração.

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