Pelo lar

(*) Francisco Assis

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Roupas da filha da vizinha
Sobre a cama seu colar de pérola
Uma frase de adeus sobre a escrivaninha
Hemorragia sagrando em minhas células.
Em maratona pelo quarto
Tanto desejo pingando pelos cílios
Uma dor incalculável à beira dum infarto
Vou continuar inquieto feito andarilho.
As janelas estão fechadas
A imagem dela sobre a visão
Daquela discussão de madrugada
E ficaram apenas passos de solidão.
A partir disso não tive mais sono
Vivo perdido pelo lar
Quem seria agora seu dono?
Seu anjo não quer me contar.
Tento às vezes adormecer
Bate em meu peito um dilúvio de pesadelo
A sorrir vejo você aparecer
Depois some feito gelo.
Estou perplexo e inseguro
Não sei se ainda vive ali do lado
Atrás da muralha sob a luz ou no escuro
Pensando em outro namorado.

(*) Francisco Assis Silva é poeta e militar – Email:
[email protected]

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