Em defesa da democracia – Parte Final

(*) Plínio Feix

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A política, no seu sentido profundo, jamais pode ser concebida em termos autoritários, a imposição de uns grupos sobre os demais pelo uso da força. Se a sua finalidade é a sociedade para todos/as, então todos os indivíduos que a compõe devem participar desse projeto de construção. O soberano deve ser, em qualquer situação, o conjunto da população. Para tanto, é preciso garantir as condições políticas e culturais que viabilizem o exercício da cidadania. A classe capitalista jamais transformará a democracia em valor ou princípio político de excelência. A história brasileira é farta sobre esta prática autoritária. Os setores privilegiados usam todos os meios para impedir o fortalecimento democrático das instituições políticas e socioculturais. Eles não fomentam a expansão da cultura democrática na esfera política e na sociedade em geral.

Por isso, a democracia está sempre incompleta e ameaçada! Por este motivo ela precisa ser constantemente defendida. O atual momento exige isso.

A campanha eleitoral em curso é um momento ímpar para essa discussão: democracia x autoritarismo. É necessário debater sobre as causas e as consequências nefastas do avanço das organizações e das práticas autoritárias, entre elas a defesa do uso indiscriminado da violência contra os grupos sociais menos protegidos. Trata-se de uma hipocrisia monumental, pois essas chamadas minorias são o resultado de uma sociedade que precisa ser mudada, mas é exatamente o que não quer essa mesma extrema direita autoritária. Esta procura atacar unicamente os efeitos, e não as causas.

Enfim, aponta para uma solução absurda!

A política, ou se faz com democracia, ou ela perde a sua substância. Democracia significa o direito de livre manifestação social e política dos diferentes setores da sociedade, inclusive quem se filia ao campo conservador. Porém, tal comportamento deve ocorrer respeitando os demais grupos, e não pela imposição, pela violência em relação aos que pensam e agem de forma diferente. O dissenso (divergências) é inevitável, ainda mais em uma sociedade tão desigual como a nossa. Cada grupo, para ampliar o seu poder de influência social e político, deve usar o recurso da persuasão (convencimento por meio de argumentos), e não pela violência. Que a democracia saia fortalecida nesta eleição, para o bem da política e da convivência social.

(*) Plínio José Feix é Professor do Departamento de História, Câmpus Universitário de Rondonópolis/UFMT, doutor em Ciência Política

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