Prefeitura vinha divulgando que já tinha atendido as exigências feitas pelo órgão federal e que a demora para homologar o equipamento no aeroporto estava sendo da Anac – Foto: Arquivo

Ao contrário do que a Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito (Setrat) tem afirmado, as exigências de adequações no Aeroporto Municipal Marinho Franco, em Rondonópolis, feitas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para a homologação do RNAV, equipamento que auxilia no pouso de aeronaves por instrumentos, ainda não foram atendidas. O equipamento já está instalado desde o início do ano de 2016, mas depende da homologação do órgão responsável pela aviação civil no país para de fato começar a operar.

No último mês de março, uma equipe técnica da Anac esteve em Rondonópolis vistoriando o Marinho Franco, mas foi embora sem homologar o RNAV e exigiu que a Prefeitura fizesse uma série de adequações no aeroporto. Desde então, a Prefeitura tem divulgado que já atendeu as exigências feitas pelo órgão federal e que a demora para homologar o equipamento estava sendo da Anac.

Entre os itens vistoriados pelos técnicos da ANAC estavam as canaletas de escoamento de água das chuvas, limpeza da vegetação às margens e nas cabeceiras das pistas, pavimentação asfáltica da pista, iluminação, condições se segurança com cercamento da área aeroportuária, pinturas da sinalização horizontal e vertical, placas de sinalização, alinhamento dos equipamentos para operação por instrumentos, pinturas em torno da biruta, portão de acesso dos Bombeiros e revitalização dos balizamentos.

Para entender melhor os motivos da demora, o Jornal A TRIBUNA entrou em contato com a Anac, que respondeu que após a vistoria técnica realmente solicitou adequações ao operador aeroportuário, no caso a Prefeitura, mas que esta até o momento não teria feito as mesmas, o que levou o órgão a não efetivar a homologação do RNAV, sigla em inglês que significa Area Navigation, equipamento que é responsável por fornecer coordenadas geográficas por meio do sistema GPS para os pilotos de aeronaves.

Questionada sobre a situação, a Prefeitura agora voltou atrás e admitiu que não tinha feito todas as adequações exigidas, mas insistiu que, ao contrário do que afirma a Anac, parte das adequações já teriam sido feitas e comunicadas ao órgão federal, faltando ainda alguns itens para que as adequações sejam de fato concluídas, sem no entanto esclarecer o que já teria sido feito.

Entenda melhor – O Papi (Indicador de Percurso de Aproximação de Precisão) e o RNAV, equipamentos que custaram próximo de R$ 1 milhão aos cofres públicos, estão instalados desde o início de 2016, mas só o Papi entrou em operação e, desde então, o RNAV aguarda ser homologado para de fato também entrar em operação. O equipamento é essencial para garantir a segurança de pousos e decolagens em condições de pouca ou nenhuma visibilidade, contribuindo para a melhora da oferta de voos para a cidade, principalmente de voos comerciais com aeronaves maiores, o que beneficiaria de forma direta toda a população da região sul e sudeste do Estado, que muitas vezes preferem ir pegar seus voos no aeroporto da capital, por conta dos constantes cancelamentos dos voos para Rondonópolis, por falta de condições de pouso.

A situação do Aeroporto Maestro Marinho Franco tem mobilizado a opinião pública, como o Grupo de Mulheres em Prol de Rondonópolis, que tem cobrado uma solução para os problemas que se arrastam ao longo dos últimos anos. O aeroporto é de responsabilidade do Estado, mas é administrado pela Prefeitura por meio de um Termo de Cooperação Técnica.

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