Amordaçado

(*) Francisco Assis

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Em outubro volto a votar
Com as digitais e o juízo
Porém não sei em quem apostar
Nem pra fazer um improviso.
Já guardo no peito tanto trauma
Das últimas escolhas que fiz
Que me fizeram perder a calma
E o afeto pelo país.
Fui vítima de tantas promessas
Nas quais pude acreditar
Mas me preparou outra peça
E a quem vou me queixar?
Sou parte duma sociedade
Que também foi enganada
Quando se vê nos olhos toda a verdade
Ambos com a boca amordaçada.
E o que mais nos fere nisso
É o direito ao contraditório
Quando pela falta de compromisso
Caímos em golpe ilusório.
Será que ainda haverá remédio?
Para curar a má conduta
Ou prevalecerá o assédio
Da propina e da permuta.

(*) Francisco Assis Silva é poeta e militar – Email:
[email protected]

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