EU SOU – II

(*) Orlando Sabka

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Eu sou a paz, mas também a guerra.
Eu sou o conhecimento, mas também a ignorância.
Eu sou tudo, mas também sou nada.
Eu sou a fortaleza, mas também o castelo de areia.
Eu sou água corrente, mas também o lamaçal.
Eu sou as flores do campo, mas também o joio.
Eu sou as pontes do mundo, mas também a enganação.
Eu sou o fiel da balança, mas também com duas medidas.

Eu sou a brisa suave, mas também a tempestade.
Eu sou o vale verdejante, mas também a nuvem de gafanhotos.
Eu sou a felicidade eterna, mas também o ranger de dentes.
Eu sou o palacete, mas também a choupana.
Eu sou a riqueza do mundo, mas também sua desgraça.
Eu sou a estrada da vida, mas também seus espinhos.
Eu sou a plenitude do amor, mas também os descaminhos.
Eu sou o sal da terra, mas também a aridez do deserto.

Eu sou a mão que alimenta, mas também a que apedreja.
Eu sou o mar sereno, mas também a ressaca destrutiva.
Eu sou a glória imortal, mas também o fracasso.
Eu sou a claridade, mas também a escuridão.
Eu sou o cobertor, mas também o papelão na calçada.
Eu sou. . . . . . . . . .

(*) Orlando Sabka é aposentado e morador em Rondonópolis.

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