Tribunal livra Mônica Marchett de júri popular

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A empresária Mônica Marchett recebeu provimento do recurso que apresentou para que não seja levada a júri popular – Foto: Divulgação/Arquivo

Os desembargadores Pedro Sakamoto e Rondon Bassil Filho, da Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJMT), votaram ontem para que a empresária Mônica Marchett não fosse submetida a júri popular. Ela é acusada, junto com o pai Sérgio Marchett, de ser a mandante do assassinato dos irmãos Brandão Araújo Filho e José Carlos Machado Araújo, ocorrido em 1999 e 2000.

A decisão foi tomada ontem em recurso apresentado por Mônica Marchett. Em seu voto, o desembargador Rondon Bassil Filho explicou que não vislumbrou indícios de autoria do crime da acusada: “Célio Alves não disse quem era o mandante, só que era proprietário da Sementes Mônica, não disse que era ela exatamente”. Ainda conforme o magistrado, a assinatura que consta na transferência de um carro, que seria dado como pagamento, teria sido forjada.

“Dois laudos oficiais, que estão no processo, dizem que a assinatura não veio do punho de Mônica e ainda sugerem que tenha sido imitada”, comentou o desembargador, que ainda acrescentou que outras pessoas foram citadas no decorrer do processo, mas nunca foram investigadas pelas autoridades policiais.

Além disto, o desembargador criticou o trabalho da polícia: “O espertinho do investigador, ao invés de fazer o termo de interrogatório, simplesmente ouviu em declarações. Isso significa que foi ouvida como testemunha, tinha a obrigação de dizer a verdade. O réu tem o direito de ficar calado, não pode ser obrigado a nada. A autoridade policial deu um jeitinho, infringiu a constituição. Foi feita a investigação para que o delegado indiciasse quem quisesse”.

A câmara já havia rejeitado o recurso em 2013 e determinado que ela fosse a júri, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou um novo julgamento em razão do “excesso de linguagem” do desembargador Luiz Carlos da Costa, que havia proferido voto na ocasião.

Segundo a denúncia, os pistoleiros ex-policiais militares Célio Alves e Hércules Agostinho foram contratados pela empresária e seu pai, Sérgio João Marchett, para matar os irmãos Brandão e José Carlos Araújo.

A execução dos irmãos Araújo aconteceu há quase 19 anos, Brandão Araújo Filho foi assassinado no dia 10 de agosto de 1999, no centro de Rondonópolis, pelo pistoleiro Hércules Araújo Agostinho (Cabo Hércules).

Já o segundo crime foi registrado em 28 de dezembro de 2000, quando José Carlos Machado Araújo foi executado, no estacionamento da agência central do Banco Bradesco, também no centro de Rondonópolis.

O crime foi motivado por uma negociação de terras mal sucedida, em Rondonópolis.

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