Clima gelado faz crescer preocupação com moradores de rua

Realidade atual necessita da abertura de uma urgente discussão, envolvendo os mais diferentes segmentos da sociedade local

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Foto: Patrícia Cacheffo

A circulação de pessoas em situação de rua em Rondonópolis aparenta estar em constante crescimento. As motivações podem ser várias, desde o desemprego, problemas com álcool e outras drogas, a localização estratégica do município, problemas familiares e até um atendimento atrativo do serviço social de Rondonópolis. Nesse sentido, a realidade atual necessita da abertura de uma urgente discussão, envolvendo os mais diferentes segmentos da sociedade local, para lidar com a problemática, buscando ao menos minimizá-la.

Nesta semana, as condições de um homem em situação de rua, que ficou por mais de 48 horas dormindo em calçadas de comércios da Avenida Bandeirantes, chamou a atenção dos trabalhadores e de moradores que passaram pela região, bem como também causou preocupação. Com o frio dos últimos dias, o homem, aparentando já ter certa idade, além de estar na rua e deitado em um chão gelado, não tinha grande proteção contra o tempo, utilizando apenas uma jaqueta e uma manta fina. Dentro desse período, ficou grande parte do tempo sem comer ou beber água e recusou refeições oferecidas pelos comerciantes.

Mesmo diante dos apelos para que procurasse a assistência social, ele se recusou a deixar o local. Na noite gelada de anteontem (21), tentaram contato com alguém da Secretaria Municipal de Promoção e Assistência Social para ajudar o homem, mas sem sucesso. A informação recebida foi de que não havia atendimento no período noturno. Da mesma forma, essa situação se repete às dezenas no município. Já ontem (22), ao ser contatado em horário de expediente, o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) esteve rapidamente na região e conseguiu convencer o homem a receber atendimento especializado.

No último fim de semana, em função do frio, a Assistência Social do Município percorreu pontos em que há concentração de moradores de rua e realizou a entrega de cobertores para proteção dos mesmos, conforme noticiado ontem pelo Jornal A TRIBUNA. Foram entregues 100 cobertores na Praça Brasil, Praça dos Carreiros, Praça da Saudade, Vila Operária, Lar de Nazaré, além de 40 cobertores no Albergue da Vila Operária, que atende esta população.

Morador passou cerca de 48 horas deitado em calçadas da Avenida Bandeirantes – Foto: A TRIBUNA

Conforme a Prefeitura, não existe uma equipe permanente que atenda os moradores de rua fora do expediente dos servidores ou contratados. O atendimento, nesses casos específicos, são feitos de acordo com a necessidade observada pela Assistência Social, como aconteceu no caso da distribuição de cobertores. Já cientes de que o frio chegaria, a Secretaria se programou e fez a distribuição de cobertores.

O Centro POP, que faz o primeiro atendimento e tem contato direto com os moradores em situação de rua, também não dispõe de plantão, mas atua em horários diferenciados sempre que verificada a necessidade, segundo justificou a Prefeitura. Tudo isso aponta a necessidade de ampliar o debate de assistência e acompanhamento dessa gente.

ASSISTÊNCIA

Rondonópolis oferece atendimento de saúde, alimento, um lugar para dormir, possibilidade de retorno para cidade de origem quando desejado e uma rede de parceiros, como a Casa do Bom Samaritano, a Casa Esperança e o Albergue Noturno São José Operário. Com isso, quem chega de passagem por Rondonópolis acaba ficando mais dias que o previsto, porque a cidade conta com uma estrutura um pouco melhor que os demais municípios mato-grossenses para atender esse público.

O aumento das pessoas vivendo nas ruas também pode estar relacionado ao período de entressafra da soja. Dados da própria Assistência Social do Município mostram um aumento no número de pessoas que ficam nessa situação em Rondonópolis nos meses em que a oferta de emprego no campo está em queda.

Apesar do atendimento social considerado regular, diante da realidade no Estado, as atividades diárias não são o suficiente para atender tantas pessoas vivendo em condições precárias nas ruas do Município. Recentemente, o A TRIBUNA publicou explicações da Secretaria, por meio da secretária municipal Márcia Rotilli, bem como de Fabiana Rizati Perez, que é gerente do Departamento de Proteção Social Especial do Município, sobre como funciona toda a rede de atendimento na cidade. Mesmo assim, as profissionais destacaram que o atendimento é oferecido para quem deseja, e que se não for da vontade do morador de rua, não há como o Município intervir.

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