Resultados de pesquisa referentes a qualidade da soja do Estado foram apresentados nesta semana - Foto: Divulgação
Resultados de pesquisa referentes a qualidade da soja do Estado foram apresentados nesta semana – Foto: Divulgação

A soja de Mato Grosso tem alto teor de proteína e óleo. Em dez anos de pesquisa, a variação de teor de proteína bruta variou entre 31% e 45% e o teor médio de óleo foi de 21%. Os resultados foram apresentados nesta quinta (29), durante o Workshop Compartilhando Conhecimentos de Gestão e Pesquisa, da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja).
“O estudo começou por uma especulação para saber a qualidade dos grãos de soja de Mato Grosso. Inicialmente, a pesquisa avaliou um grupo reduzido de cultivares em diferentes regiões para saber a influência das condições climáticas e da temperatura. Constatamos que as variedades nas diversas regiões têm a mesma qualidade, porque não há variação grande de temperatura entre elas”, explicou Maria Aparecida Canepele, coordenadora do Núcleo de Tecnologia em Armazenagem da Universidade Federal de Mato Grosso (NTA/UFMT).
Para o diretor técnico da Aprosoja, Nery Ribas, a pesquisa é fundamental para avanços na classificação dos grãos no Brasil. “A soja é o vegetal com maior teor de proteína e em toda a região Centro Oeste, este teor é ainda maior. A partir da pesquisa, podemos comprovar isso e, futuramente, receber um prêmio pelo teor de proteína da nossa soja”, explica.
Outro ponto importante revelado pela pesquisa é que grãos “ardidos”, ou seja, os que receberam muita chuva e estão em processo de fermentação, não perdem o teor de proteína. “Atualmente, o produtor não recebe por estes grãos ardidos e a indústria os utiliza mesmo assim, dentro da legislação. Então, esperamos que haja uma remuneração, mesmo que com deságio, como é feito na Argentina ou nos Estados Unidos”, diz Ribas.
A soja produzida no Piauí e em Tocantins têm os maiores índices de teor de proteína e óleo e, em terceiro lugar, vem Mato Grosso, com 37,5% e 20,1%, respectivamente. No início da pesquisa, o teor de proteína era em média de 40%. Segundo a pesquisadora, a diminuição pode ter ocorrido pela escolha dos produtores de utilizar materiais com maior rendimento, de ciclo precoce.
“Podemos observar que os grãos de soja produzidos em Mato Grosso atendem muito bem aos padrões comerciais, tanto de qualidade intrínseca e nível de avariados. Se compararmos com grãos de outros países como Estados Unidos, que tem limite máximo de 36% e o nosso está em 36% e 38% de proteína. Isso significa que atende a indústria e também a exportação”, finaliza a pesquisadora Maria Aparecida Canepele.

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