Semana Santa – passagem da vida finita para a vida em plenitude

1

Padre Gunther - 18-03-16O sofrimento, a dor, a morte não faltam na vida de ninguém. Todos nós sabemos isto, mas normalmente nem por isso ficamos incomodados. Tão somente quando estamos confrontados pessoalmente, quando a morte e o sofrimento batem à nossa porta, parece que acordamos. Percebemos que a vida não corre apenas na superfície. A experiência do sofrimento nos faz enxergar a dimensão mais profunda da nossa vida. Começamos a perguntar-nos. Por que o sofrimento, por que a dor por que a morte? Tem sentido?
As respostas variam, desde a resignação, o desespero, a tristeza e até a revolta. Mesmo a aceitação passiva das coisas ou a vontade de esquecer são tentativas de se refugiar e por isso são respostas inadequadas que não preenchem o vazio e não trazem a paz. Muitas pessoas, frente aos desafios da vida, se encontram perdidas, sem rumo e sem resposta.
Nós cristãos encontramos a resposta na fé em Jesus Cristo morto e ressuscitado. Ter fé para nós é um privilégio, que nos ajuda entender os mistérios da vida. Tivemos a graça que Deus olhou para a nossa pequenez e insignificância. Ele nos chamou e nos fez entender que tudo contribui para o bem dos que amam a Deus (Romanos 8,28), mesmo as coisas difíceis de aceitar. Deus colocou os nossos pés sobre um fundamento firme que nos carrega e que nos dá segurança. Em Jesus Cristo, nós cristãos e todos que têm fé, podemos encontrar a resposta correta a respeito do sentido da vida, da dor, do sofrimento e da morte.
Olhando para a paixão, morte de cruz e a ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, nós podemos descobrir que o sofrimento quando aceito com amor é o caminho da redenção, abre nossa vida, antes fechada sobre nós mesmos e sobre nossos próprios interesses, para algo a mais. Experimentamos as nossas limitações, a nossa incapacidade de moldar tudo do jeito que nós queremos. A dor, o sofrimento, em primeiro lugar, tornam-nos mais humanos, mais compreensivos para com os outros e para conosco mesmos, nos faz entender que somos dependentes. O caminho da vida passa pela morte. Se o grão de trigo que cai na terra não morrer permanecerá só; mas se morrer produzirá muito fruto. Palavras de Jesus Cristo (João 12,24). É morrendo que se vive para a vida eterna.
Na Semana Santa que inicia com o Domingo de Ramos e termina com o Domingo da Páscoa ou Domingo da Ressurreição, celebramos o mistério da vida.
Na quinta-feira-santa celebramos a instituição da eucaristia, o amor até o fim de Jesus Cristo (João 13, 1). Cada vez na eucaristia repetimos, para nunca esquecer: “Fazei isto em memória de mim”. Eucaristia é memória da libertação da escravidão do Egito e da salvação do povo de Deus e é certeza de que Deus também hoje liberta e salva os seus filhos da morte e de tudo que os escraviza. No ofertório colocamos com confiança a nossa vida nas mãos de Deus. Ele aceita nossa entrega e consagra a nossa vida. Na comunhão a vida divina entra na vida dos que comungam e estabelece a comunhão dos santos. Eucaristia é ação de graças, é festa do céu já aqui na terra.
Na sexta-feira santa recordamos com tristeza que Jesus Cristo “veio para o que era seu e os seus não o receberam” (João 1,11). Jesus foi rejeitado durante a sua vida terrestre. Por isso terminou a sua vida sofrendo a paixão e morte da cruz. Jesus continua sendo rejeitado até hoje, sua paixão continua. Ponto alto e comovente da celebração da sexta-feira-santa é o momento da intercessão, quando a Igreja, a comunidade reunida, ora a Deus misericordioso, em favor de toda a humanidade.
Na Vigília Pascal, que inicia no Sábado Santo e termina com o Domingo da Páscoa celebramos uma grande surpresa. Jesus Cristo morto e sepultado está vivo. Deus o ressuscitou. Com a ressurreição Deus Pai aprovou, legitimou e sancionou seu Filho e tudo o que ele tinha feito e ensinado. Jesus Cristo entregou a sua vida para que todos pudessem chegar a uma vida salva, redimida, uma vida em plenitude.
As celebrações querem ajudar-nos a vivenciar e experimentar na nossa vida o que celebramos na liturgia. A morte é como que um novo nascimento, é passagem para uma vida nova, redimida e liberta de todas as amarras, afinal vida em plenitude, vida em Jesus Cristo. A Semana Santa é como que um retiro para todo povo cristão. Também você é convidado para participar. Não deixe de perder esta possibilidade de distanciar-se do seu dia a dia, de pensar sobre o mistério da sua vida e sobre o seu sentido.
Uma feliz e abençoada Páscoa de 2016.

(*) Pe. Gunther Lendbradl, vigário geral da Diocese de Rondonópolis-Guiratinga; Coordenador de Pastorais – Diocese de Rondonópois-Guiratinga

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here