De bagre ensaboado a camaleão

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Elizeu Silva ABAlguém ainda duvida que nas eleições deste ano muitos prefeitos e vereadores “caras de pau” farão de tudo pra usarem a máquina administrativa pública em favor da promoção pessoal? Em ambos os casos, maus gestores públicos deverão recorrer a essa manobra imoral, pois é sabido que a ‘dita cuja da reeleição’ é um fator desgastante e penoso por si só.
Se somada à descrença do eleitorado em meio aos escândalos de corrupção e à crise econômica e política do país, a apropriação indébita da coisa pública pelo gestor/candidato em proveito próprio será uma depravação sem limites na tentativa de se evitar uma carona no famoso e náufrago Bateau Mouche.
Dos candidatos a tentarem o mandato subsequente é sobre os atuais prefeitos que serão cobrados acareação mais sólida por parte da população, já que grande parte deles, não cumpriu sequer a metade das promessas feitas na campanha de 2012. Muitos tentarão enganar novamente, o já surrado eleitor, com as falsas promessas do tipo: se reeleito for, faço na próxima gestão, o que não fiz nos quatro anos anteriores. Ah! Faça-me o favor.
Mais o agravante maior dessa batalha vindoura será se estes incansáveis postulantes tiverem alguma aproximação com o Partido dos Trabalhadores. Se tiverem estarão enrolados até o pescoço diante da degradação eleitoral do PT. Sendo assim, não se assustem com a grande debandada de oportunistas que deixarão as atuais legendas e somarão as fileiras dos partidos tidos como divergentes ao governo Dilma.
Tucanos e democratas deverão receber maior número dos “arrependidos da ultima hora”. Claro, o proveito das circunstâncias para se trocar de partido não é crime, e conta com total aval da Justiça Eleitoral. A nova sigla, de maneira ou outra, os beneficiará a se manterem no cargo ou emplacarem sucessores nas eleições de outubro.
Nas capitais, a traquinagem com a máquina publica será mais moderada pelo fato da proximidade com a Justiça Eleitoral. Mas, nos municípios adjacentes as metrópoles brasileiras, prefeitos inescrupulosos deverão nadar de braçada ao fazerem uso da máquina através dos conhecidos favorzinhos. Já até posso ver; caminhãozinho de areia pra cá, caminhãozinho de tijolos pra lá, patrolamento de estradas acolá e assim por diante. Quanto mais próximo do pleito, mais caridosos ficam.
O interessante nisso é que da noite para o dia, muitos viram donos ou sócios de postos de combustíveis, dragas, cerâmicas e até de casas de materiais para construção. Aliás, é nesse momento que os produtos da construção civil são transformados em moeda de troca pelo voto. Com a gasolina nesse preço então, o escambo acontece num piscar de olhos. Será uma tentativa descomedida para reverterem o quadro aparentemente desanimador da reeleição.
Mas, vale lembrar esses espertalhões que para toda malfeitoria existe sanção capaz de coibi-la, claro, se houver interesse do eleitor em denuncia-los. Se o uso da máquina administrativa pelas mãos desses diligentes pode somar em vantagens, também poderá reproduzir em desvantagens. Se denunciada e constatada a fraude, pode se tornar em ato de improbidade administrativa e crime de responsabilidade a utilização pelos governantes de propriedades do governo para fins políticos e eleitorais. Seria: o feitiço virando contra o feiticeiro. Resumindo! Quem quer disputar a reeleição ou eleger um sucessor está proibido de fazer uso da máquina administrativa do Estado e pago pelo suor dos contribuintes.
Que o eleitor fique atento para a possível mazela com o erário público. Mas, tenham a certeza que nos próximos meses, alguns candidatos irão emplacar a identidade do ‘bagre ensaboado’. Outros até conseguirão controlar a movimentação de pigmentos que dão cores às células da pele para se transfigurarem em verdadeiros camaleões.

(*) Elizeu Silva é jornalista em Mato Grosso. Email: [email protected]

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