Você é (in)competente, até prova em contrário

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10/11/2015 – Nº 392 – Ano 09
01/12/2015 – Nº 395 – Ano 09

Na contramão do que defende a legislação brasileira sobre a presunção da inocência (todo mundo é inocente até que se prove o contrário), não posso dizer que todo mundo é competente, até que se prove o contrário.
Ninguém nasce competente ou sabendo alguma coisa. Pode ter o que chamamos de habilidades natas, mas num ambiente competitivo que vivemos (não só como profissional, nos negócios e no trabalho) é pouco provável que alguém se destaque positivamente da noite para o dia, apenas por nascer com uma determinada habilidade.
Você não sabe que é competente até que experimente e perceba que realmente tem jeito para isso. Ainda assim, vai precisar treinar muito para se tornar um destaque.
Aí mora uma grande semelhança (não experimentar) entre os que não sabem, mas são, e os que acham que são (competentes ou incompetentes), mas não experimentam, e, portanto, nunca saberão.
Tem muita gente que se acha capaz de algo, mas quando vai para a prática e tenta fazer, é um desastre. Eu já fiz muitas dessas, e conheço vários que se meteram a fazer o que não sabiam, mas achavam que sabiam.
Não posso taxar de incompetente quem ainda não mostrou a que veio, mas só vai ser competente quando o fizer. Parece um jogo dúbio, mas não é. Para ser competente e reconhecido como tal, você precisa demonstrar, inclusive a si mesmo. Mas por outro lado, claro, não posso dizer que você seja incompetente, contudo, precisa me mostrar, se não, ninguém colocará fé.
Mas o que mais ocorre é justamente o contrário: a pessoa, por antecipação e motivo qualquer, se acha incompetente. Nunca fez ou nunca experimentou fazer, mas de pronto não crê que tenha alguma capacidade de fazer aquilo. Uma pessoa de pouca fé. Fé nela mesmo, lógico.
Aliás, eu já cometi desses devaneios profissionais. Algumas atividades que nunca imaginei exercer, mas que por força do destino e das oportunidades, me obrigaram a experimentar e testar.
Uma delas é exatamente essa de ser professor ou palestrante. Quando ainda adolescente, lá na roça, nem num sonho mais futurístico poderia imaginar algo assim. Até que as oportunidades foram aparecendo e ao não me esquivar delas, enfrentando-as, percebi que tinha certo jeito para isso.
Criei coragem e com o tempo aprendi que o auto preconceito da incompetência, em muitos casos, dura até o primeiro contato ou a primeira experiência agradável. Para os mais tenazes, as dificuldades iniciais são meras oportunidades de aprender rápido, e assim, conseguem se diferenciar no mar de pessoas e profissionais.
Uma área que adoro é o empreendedorismo. Me fascina entender como surgem os negócios e as empresas. Como e porque os profissionais escolhem suas profissões também é muito interessante.
O que fez alguém abrir determinado negócio ou escolher aquela profissão e não outra? E qual o motivo de ter mudado, quando em algum momento, vira os arreios e toca para outro rumo? Muitas vezes apenas descobre tarde da vida que era capaz noutra atividade, ou mesmo nunca chega a descobrir.
A verdade é que sequer sabemos do que gostamos. Afinal, como dizer que não gostamos de fazer A ou B se não experimentamos? Se ainda não temos elementos experienciais capazes de nos oferecer juízo de valor efetivo?
Fazendo uma comparação rasa, é quase como comida. Dizer que não gosta de determinada comida sem experimentar é utilizar apenas elementos parciais de decisão. Nesse caso, normalmente a visão.
Aliás, como em quase tudo, nisso o ser humano usa os sentidos como elemento seletivo. Primeiro olhamos (o brasileiro é especialmente visual), depois cheiramos, apalpamos e só então ingerimos. Precisa passar pelos testes sensoriais em sequência.
O pessoal que trabalha com testes vocacionais sabe muito bem a dificuldade que é apontar direções para quem ainda testou pouco na vida.
Por isso, melhor do que nunca é acreditar que posso ser competente, me dar o direito, e saber que tenho o dever, de experimentar.
Boa semana e até a próxima.

(*) ELERI HAMER escreve esta coluna às terças-feiras. É professor, workshopper e palestrante – –[email protected]

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